Um proprietário rural foi processado por crime ambiental, mas o advogado especializado em crime ambiental conseguiu a absolvição porque a acusação não trouxe laudo pericial que comprovasse o dano.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve a sentença absolutória em processo penal. A base legal é direta: crimes ambientais que deixam vestígios exigem prova pericial para que a materialidade delitiva fique comprovada (art. 19 do Código de Processo Penal c/c a Lei 9.605/1998).
A Lei 9.605/1998, chamada de Lei de Crimes Ambientais, pune a degradação do meio ambiente com penas de prisão. Mas punir exige provar. E provar, nesse tipo de crime ambiental, significa apresentar laudo técnico de perito oficial — não basta indício, foto ou depoimento de fiscal.
O Ministério Público denunciou com base em indícios. Não houve perícia oficial que atestasse o dano ambiental. Em primeiro grau, o juiz absolveu entendendo que as provas eram insuficientes para condenar.
O Ministério Público recorreu buscando reverter a absolvição. Foi o momento em que a análise técnica da defesa fez diferença. Mas o tribunal disse não.
Os desembargadores foram diretos: sem laudo pericial, não existe prova da materialidade do crime ambiental. A acusação tinha o ônus de demonstrar o dano, e não cumpriu essa obrigação.
O in dubio pro reo entrou em cena. Isso significa que, quando a acusação não prova o que alega em um crime ambiental, a dúvida sempre favorece o réu. Foi exatamente isso que garantiu a absolvição.
Isso muda o cenário para qualquer pessoa acusada de crime ambiental que enfrente processo penal sem laudo técnico. Não basta a palavra de um fiscal ou uma foto de área degradada. Sem prova pericial, a condenação por crime ambiental não se sustenta.
Quem recebe uma denúncia por crime ambiental costuma não saber por onde começar. Um advogado especializado em crime ambiental identifica esse vício logo na primeira leitura do processo: a ausência de laudo pericial já é suficiente para pedir a absolvição.
O erro mais frequente nesse tipo de caso é aceitar o processo sem questionar a qualidade das provas. A falta de laudo não é um detalhe técnico — é uma exigência legal que um advogado especializado em direito ambiental sabe usar na defesa desde o início.
Decisões assim só beneficiam quem age dentro do prazo. Quem recebeu denúncia por crime ambiental deve buscar orientação jurídica especializada em direito ambiental antes que o processo avance sem defesa técnica adequada.
Qual julgado absolveu o réu por falta de laudo pericial?
A decisão é a Apelação Criminal nº 10134170037169001, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), julgada em 28/11/2019 e publicada em 02/12/2019.
Um proprietário rural foi denunciado por crime ambiental, mas o processo chegou ao fim sem laudo pericial que comprovasse o dano. A acusação se apoiava em indícios, e o juiz absolveu o acusado em primeiro grau.
O Ministério Público recorreu, sustentando que os indícios bastavam para condenar. O TJ-MG respondeu que esse tipo de crime deixa vestígios e, por isso, exige prova pericial para comprovar o dano.
O tribunal negou o recurso e manteve a absolvição, porque a acusação não provou a materialidade do crime. É um caso real, de número público, e não um exemplo hipotético.
Por que a falta de laudo pericial leva à absolvição no crime ambiental?
Porque o Código de Processo Penal exige exame de corpo de delito quando a infração deixa vestígios (art. 158 do CPP). Na maioria dos casos, o dano ambiental fica na mata, no solo ou na água, e só um perito consegue atestá-lo. Sem esse exame, o Ministério Público não prova que o crime existiu, e o juiz absolve (art. 386, inciso VII, do CPP).
O exame de corpo de delito é a perícia que constata a materialidade, ou seja, a prova de que o fato criminoso realmente aconteceu. Ele pode ser direto, feito no próprio local por técnico habilitado, ou indireto, feito a partir de outros dados técnicos.
A confissão do acusado também não supre a falta do exame. O art. 158 do CPP diz isso de forma expressa, e a regra vale igualmente para infrações ambientais.
Há uma distinção que confunde muita gente: auto de infração não é laudo pericial. O auto de infração é um ato administrativo do órgão ambiental e serve para aplicar a multa. Já a condenação criminal exige prova técnica produzida com direito de defesa, em regra por perito oficial, nos termos do art. 159 do CPP.
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A Lei 9.605/1998 reforça essa lógica. O art. 19 dessa lei prevê que a perícia de constatação do dano ambiental fixará, sempre que possível, o valor do prejuízo causado, o que mostra o papel central do laudo técnico nesse tipo de processo.
Foi o que aconteceu no caso do TJ-MG. A acusação tinha só indícios, o Ministério Público não provou a materialidade e a sentença absolutória foi mantida. É o in dubio pro reo: na dúvida, decide-se a favor do réu.
O que dá para alegar na defesa em um processo penal ambiental?
A defesa pode alegar que a materialidade não foi provada porque não existe laudo pericial oficial nos autos. Pode alegar também que a perícia foi feita sem respeitar a lei, que o relatório da fiscalização não substitui o exame técnico ou que a denúncia nem deveria ter sido aceita. Cada uma dessas alegações pode levar à absolvição.
A primeira alegação é a mais simples: não há laudo pericial oficial no processo. Nesse caso, o advogado especializado em direito ambiental pede a absolvição com base no art. 386, inciso VII, do CPP, que manda absolver quando não existe prova suficiente para condenar.
A segunda trata da perícia feita sem seguir a lei. O laudo precisa ser assinado por perito oficial ou, na falta dele, por duas pessoas idôneas com diploma de curso superior (art. 159 do CPP). Esse vício pesa em casos de desmatamento sem exame direto no local, que não geram condenação.
A terceira é a falta de justa causa. Denúncia baseada só em relatório de fiscalização pode ser rejeitada logo no início do processo (art. 395, inciso III, do CPP).
A visão geral dessa defesa está em quando a falta de perícia leva à absolvição em crime ambiental. Ela ajuda a escolher qual alegação usar em cada fase, da resposta à acusação até o recurso de apelação.
A tabela abaixo resume como a lei trata cada situação de falta de laudo e o que a defesa pode pedir em cada uma. Ela serve de roteiro de leitura e não substitui a análise do processo.
| Situação no processo | O que a lei prevê | O que a defesa pode pedir |
|---|---|---|
| Crime deixou vestígios e não há laudo | Exame de corpo de delito é indispensável (art. 158 do CPP) | Absolvição por falta de prova (art. 386, inciso VII, do CPP) |
| Vestígios desapareceram | Prova testemunhal pode suprir a falta (art. 167 do CPP) | Exigir que a acusação demonstre o desaparecimento |
| Laudo feito sem perito oficial | Perito oficial com diploma superior (art. 159 do CPP) | Contestar a validade do laudo |
| Denúncia só com indícios | Falta de justa causa (art. 395, inciso III, do CPP) | Rejeição da denúncia ou habeas corpus |
Ou seja, ter um documento chamado laudo não basta. O que conta é quem o produziu, como foi produzido e o que ele realmente prova. Quando os vestígios sumiram, a acusação ainda precisa explicar o motivo, e a defesa deve cobrar essa explicação.
O que fazer se você responde a processo penal ambiental?
Confira primeiro se o processo tem laudo pericial e quem o assinou. Depois reúna a denúncia, o relatório da fiscalização e as provas juntadas, e observe o prazo de 10 dias para a resposta à acusação (art. 396 do CPP). A análise dessas peças define a estratégia de defesa.
- Leia a denúncia e identifique qual dano ambiental ela atribui ao acusado.
- Confira se existe laudo pericial nos autos e quem o assinou.
- Anote a data da citação, porque o prazo da resposta à acusação corre a partir dela.
- Reúna documentos da propriedade, licenças, fotos e relatórios que mostrem a situação real da área.
- Não confesse nem assine documentos sem orientação jurídica.
Quem tem dúvida sobre o tipo de exame exigido pode ler por que o exame de corpo de delito é obrigatório em crime ambiental, outro caso em que a falta da perícia pesou na decisão.
Ser denunciado não é ser condenado. A acusação precisa provar o crime, e a defesa técnica existe para cobrar essa prova.
O advogado especializado em direito ambiental analisa o processo desde o início. Ele pode pedir a rejeição da denúncia, apresentar a resposta à acusação, pedir a absolvição ou, quando a ação penal não tem base, ajuizar habeas corpus para trancá-la.
Perguntas frequentes
Toda infração penal ambiental exige laudo pericial para haver condenação?
Exige quando o crime deixa vestígios, o que acontece na grande maioria dos casos. O art. 158 do CPP torna indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, nessas situações. Crimes que não deixam rastro físico no ambiente seguem outra lógica de prova. Por isso, antes de qualquer defesa, o advogado verifica se o delito imputado deixou vestígios e se o laudo existe, porque essa conferência pode decidir o resultado do processo.
A palavra do fiscal ou as fotos do local substituem o laudo pericial?
Em regra, não. O depoimento do fiscal e as fotografias podem servir como indício e como apoio, mas não equivalem ao exame técnico previsto no art. 158 do CPP. O relatório de fiscalização é um documento administrativo, feito sem a participação da defesa. A condenação criminal exige prova segura da materialidade, e o TJ-MG entendeu que indícios isolados não bastam para condenar.
O que acontece quando os vestígios do dano ambiental já desapareceram?
Quando o exame direto não é mais possível porque os vestígios sumiram, o art. 167 do CPP permite que a prova testemunhal supra a falta do laudo. Essa exceção, porém, não é automática. A acusação precisa mostrar que o exame era impossível e que a prova testemunhal é segura. Se os vestígios ainda existiam e ninguém os periciou, a falta do laudo continua sendo um vício que a defesa pode explorar.
Quem pode assinar o laudo em um processo penal ambiental?
O art. 159 do CPP determina que o exame seja feito por perito oficial, portador de diploma de curso superior. Na falta de perito oficial, a lei admite duas pessoas idôneas, também com diploma de curso superior, de preferência na área específica da perícia. O acusado pode indicar assistente técnico para acompanhar o trabalho e formular perguntas. Laudo assinado por quem não preenche esses requisitos pode ser contestado pela defesa.
A absolvição por falta de laudo impede um novo processo criminal pelo mesmo fato?
Em regra, sim. A sentença absolutória que transita em julgado produz coisa julgada, e o acusado não pode ser processado de novo pelo mesmo fato. A absolvição penal, porém, não encerra automaticamente a multa do órgão ambiental nem a obrigação de reparar o dano, porque o art. 225, §3º, da Constituição Federal separa as responsabilidades penal, administrativa e civil. Cada uma exige análise própria.
A primeira coisa a fazer é uma análise técnica da denúncia e das provas juntadas ao processo. É essa leitura que revela se existe laudo pericial válido ou se há brecha que justifique pedir a absolvição. Procure um advogado especializado em direito ambiental para essa avaliação.





