MGDecreto 47.383/2018 comentado · Infrações contra a fauna

Código 526 do Decreto 47.383/2018: multa ambiental por torneio de pássaros sem autorização em Minas Gerais e como se defender

Foi autuado em Minas Gerais por organizar torneio de canto de pássaros sem autorização, ou por rinha de aves? Calcule a multa ambiental dos códigos 526 e 525 e veja as teses de defesa que eu uso.

Cláudio Farenzena

Escrito porCláudio Farenzena, advogado ambientalOAB/SC 49.222 e OAB/MT 35.260/A

O código 526 do Anexo V do Decreto 47.383/2018 pune, em Minas Gerais, quem realiza torneio sem autorização do órgão ambiental ou em desacordo com ela. É gravíssima e tem um dos maiores valores fixos da fauna: de 10.000 a 20.000 Ufemg por torneio sem autorização, e de 5.000 a 10.000 Ufemg por torneio em desacordo com a autorização. O código 525 pune a rinha de animais silvestres, com valores que dependem do papel de cada um. Na defesa, eu começo por 2 perguntas: quem realizou o torneio? E havia autorização, ainda que com alguma irregularidade?

Torneios de canto de coleiro, curió, canário-da-terra e trinca-ferro são tradição em muitas cidades de Minas Gerais. A Polícia Militar de Meio Ambiente costuma fiscalizar no dia do evento, apreende as aves irregulares e autua o organizador pelo código 526 e os participantes pelos códigos de fauna, como a guarda do 506.

Com a Ufemg de 2026 em R$ 5,7899, o torneio sem autorização parte de cerca de R$ 58 mil, e o torneio em desacordo com a autorização, de cerca de R$ 29 mil. É uma das multas ambientais mais altas para pessoa física em Minas Gerais.

O código 526 pune quem realiza o torneio, e não quem participa. O participante com ave regular, anilhada e registrada não pratica o 526. E a diferença entre “sem autorização” e “em desacordo com a autorização” corta o valor pela metade.

No mérito, as teses mais fortes são a autoria de quem realizou, a autorização existente, a natureza do evento, a responsabilidade do dono do local e a prescrição. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais afastou a multa ambiental cobrada de quem não praticou a conduta, reconhecendo a responsabilidade subjetiva.

Os prazos em Minas Gerais são de 20 dias para a defesa e de 30 dias para o recurso, sem depósito. O pedido de devolução das aves regulares apreendidas deve andar junto com a defesa.

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Calcule a multa ambiental do código 526 por torneio

Escolha a situação do torneio. O código 526 é cobrado por torneio.

Sem reincidência (valor base)
Com reincidência (valor máximo)
Faixa final possível, com atenuantes e agravantes de 30% cadada metade ao dobro do valor base (arts. 83, 85 e 86)

Estimativa em reais pela Ufemg de 2026 (R$ 5,7899), sem correção. O valor do seu auto de infração ambiental depende da reincidência, das atenuantes e agravantes e do enquadramento correto do local. Isso não substitui a leitura do auto de infração ambiental.

O texto dos códigos 526 e 525 do Decreto 47.383/2018 de Minas Gerais

Código 526. Realizar torneio sem autorização do órgão ambiental competente ou em desacordo com a mesma. Classificação: gravíssima. Incidência: por ato. Valor: I, por torneio realizado sem autorização, de 10.000 a 20.000 Ufemg por ato; II, por torneio realizado em desacordo com a autorização obtida, de 5.000 a 10.000 Ufemg por ato.

Código 525. Atuar como promotor, colaborador ou auxiliar de rinhas e outras competições que possam promover lesões, maus-tratos ou morte de animais da fauna silvestre; ceder o imóvel; manter locais preparados; montar as instalações; participar como torcedor ou espectador; ou utilizar animais silvestres em rinhas. Gravíssima. Para o promotor, o detentor dos animais e o cedente do imóvel, de 1.600 a 3.200 Ufemg por ato, mais 300 Ufemg por animal comum ou 3.000 por animal ameaçado; para o torcedor, espectador ou quem monta as instalações, de 450 a 900 Ufemg por ato.

Classificação
Gravíssima
Multa ambiental
10.000 a 20.000 Ufemg por torneio sem autorização
Prazo de defesa
20 dias
Recurso
30 dias, sem depósito
Prescrição
5 anos, ou o prazo penal se houver crime ambiental

Texto conferido no site da Assembleia Legislativa de Minas Gerais em 26/09/2026 (Decreto 47.383, de 2 de março de 2018, Anexo V, com base no art. 112).

Autuado por torneio de pássaros em Minas Gerais? Confira primeiro

  • Quem realizou. O código 526 é do organizador. Participante e dono do local têm situações diferentes.
  • A autorização. Torneio autorizado com alguma irregularidade é a faixa de 5.000 a 10.000 Ufemg, a metade.
  • O tipo de evento. Torneio de canto não é rinha. O código 525 exige competição que possa causar lesão ou sofrimento.
  • As aves. Aves anilhadas e registradas devem ser devolvidas; o pedido tem o prazo da defesa.
  • Os outros autos de infração ambiental. O mesmo evento não pode gerar o 526 e o 525 para o mesmo fato.

Teses de Cláudio Farenzena

Teses de defesa contra auto de infração ambiental pelo código 526 em Minas Gerais

Estas são as teses que eu, Cláudio Farenzena, uso na defesa de criadores e organizadores de torneios de pássaros em Minas Gerais autuados pelos códigos 526 e 525, pela Polícia Militar de Meio Ambiente. Elas atacam a autoria, a autorização, a natureza do evento e a apreensão das aves. Quando o torneio não tinha autorização nenhuma, a defesa fica no valor e na devolução das aves regulares.

  • 5 teses comentadas
  • Precedentes do TJMG
  • Texto conferido na ALMG em 26/09/2026
Cláudio Farenzena, advogado ambiental, autor das teses de defesa
Cláudio FarenzenaAdvogado ambiental · OAB/SC 49.222 · OAB/MT 35.260/A

1. Quem realizou o torneio em Minas Gerais?

O código 526 pune quem realiza o torneio. O participante com ave regular, o juiz de canto e o dono do bar onde aconteceu não são, automaticamente, os realizadores. A multa ambiental exige conduta própria: o TJMG afastou a multa ambiental cobrada de quem não praticou a conduta (Apelação Cível 5005406-08.2019.8.13.0035).

2. Sem autorização ou em desacordo com ela no Decreto 47.383: o valor cai à metade

O decreto separa o torneio sem autorização (10.000 a 20.000 Ufemg) do torneio em desacordo com a autorização obtida (5.000 a 10.000). Se havia autorização, ainda que com falha de data, local ou número de participantes, o enquadramento é o do inciso II. O TJMG declara nulo o auto de infração ambiental com tipificação que não coincide com o fato (Apelação Cível 5003616-13.2019.8.13.0512).

3. Torneio de canto não é rinha no Decreto 47.383

O código 525 exige rinha ou competição que possa promover lesões, maus-tratos, crueldade, sofrimento ou morte. Torneio de canto, em que as aves ficam em gaiolas separadas, não se encaixa nele. Aplicar o 525 a torneio de canto é erro de enquadramento.

4. Aves regulares apreendidas em Minas Gerais: devolução

Aves anilhadas, registradas e com origem comprovada não são instrumento imprescindível da infração do organizador. O pedido de devolução de bem lícito deve ser feito no prazo da defesa (art. 94 do Decreto 47.383/2018), e o animal com anilha idônea pode ficar com o fiel depositário até o julgamento.

5. Punição dupla, valor base e prescrição em MG

O mesmo evento não pode gerar os códigos 526 e 525 para o mesmo fato. O valor base é o mínimo sem reincidência (art. 83). Pela Lei estadual 21.735/2015, o Estado tem 5 anos para autuar, ou o prazo penal se o fato for crime ambiental, e o processo parado por mais de 5 anos é arquivado (arts. 2º e 2º-A).

Prazos do processo administrativo do código 526 em Minas Gerais

Etapa Prazo Base
Defesa contra o auto de infração ambiental 20 dias da ciência Art. 58 do Decreto 47.383
Pedido de devolução das aves regulares No prazo da defesa Art. 94
Recurso contra a decisão 30 dias da ciência, sem depósito Art. 66
Pagamento sem defesa 20 dias da ciência Art. 113
Prescrição para autuar 5 anos do conhecimento do fato, ou o prazo penal se houver crime ambiental Lei 21.735/2015, art. 2º
Prescrição intercorrente 5 anos de processo parado Lei 21.735/2015, art. 2º-A

O torneio em Minas Gerais e os outros códigos de fauna

A ave sem registro ou com anilha irregular apreendida no torneio é autuada pelo código 506 do Decreto 47.383/2018, e a venda de aves, pelo código 507. A rinha também pode ser crime ambiental de maus-tratos do art. 32 da Lei 9.605/1998.

Perguntas frequentes sobre o código 526 do Decreto 47.383/2018

Quanto é a multa ambiental por torneio de pássaros sem autorização em Minas Gerais?

Pelo código 526 do Decreto 47.383/2018, de 10.000 a 20.000 Ufemg por torneio, cerca de R$ 58 mil a R$ 116 mil em 2026. Em desacordo com a autorização, de 5.000 a 10.000 Ufemg.

O participante do torneio também é multado pelo 526?

Não. O código 526 é de quem realiza o torneio. O participante pode responder por ave irregular, pelo código 506.

Torneio de canto é rinha?

Não. O código 525 exige rinha ou competição que possa causar lesão ou sofrimento ao animal.

Minhas aves regulares foram apreendidas no torneio. Posso reaver?

O pedido de devolução de bem lícito deve ser feito no prazo da defesa (art. 94 do Decreto 47.383/2018).

Quando procurar um advogado ambiental em Minas Gerais?

Logo depois da autuação ou da apreensão. A defesa e o pedido de devolução das aves têm o mesmo prazo de 20 dias.

Cláudio Farenzena, advogado ambiental

Sobre o autor

Cláudio Farenzena

Criadores e organizadores de torneios de pássaros autuados em Minas Gerais pelos códigos 526 e 525 do Decreto 47.383/2018 contam com Cláudio Farenzena, advogado ambiental inscrito na OAB/SC 49.222 e na OAB/MT 35.260/A e especialista em Direito Ambiental e do Agronegócio pela UFPR. Ele separa primeiro o organizador dos participantes e confere a autorização do evento, porque isso decide quem responde e se o valor é o cheio ou a metade.

Criado no interior, conhece de perto a tradição dos torneios de canto, e a experiência na Polícia Militar lhe mostrou como a fiscalização chega a esses eventos. Professor no Direito Ambiental na Prática e vice-presidente do Instituto de Direito Agroambiental (IDAM), atua desde 2017 em todo o país, online ou presencialmente, em processo administrativo, crime ambiental, ação civil pública ambiental e execução fiscal de multa ambiental.

Claudio Farenzena, melhor advogado ambiental do Brasil

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