Auto de infração
A Área de Proteção Ambiental da Barra do Rio Mamanguape é uma unidade de uso sustentável administrada pelo ICMBio, criada em 1993 (Decreto 924 de 10/09/1993; Decreto S;N 7/04/1998), com cerca de 14.918 hectares no bioma Mata Atlântica e Sistema Costeiro-Marinho, em PB. Dentro dela há uso humano permitido, mas regulado pelo plano de manejo e pelas normas da unidade, e é na fronteira entre o permitido e o proibido que nascem as autuações.
Os dados públicos do ICMBio registram 268 autos de infração ambiental na Área de Proteção Ambiental da Barra do Rio Mamanguape, somando R$ 3,0 milhões, com mediana de R$ 1.980. 58 vieram com embargo e 103 com apreensão. O ano com mais autuações foi 2023, com 46. As autuações se concentram em Rio Tinto (PB) e Marcação (PB). As infrações mais comuns são conduta contra o plano de manejo (art. 90), dano à unidade de conservação (art. 91) e caça e fauna silvestre (art. 24).
A área de proteção ambiental é constituída por terras públicas ou privadas, com ocupação humana, e as restrições à propriedade privada precisam estar estabelecidas em normas, respeitados os limites constitucionais (art. 15 da Lei 9.985/2000). A Área de Proteção Ambiental da Barra do Rio Mamanguape é uma área de proteção ambiental, e a lei exclui a APA da exigência de zona de amortecimento (art. 25 da Lei 9.985/2000). Fato ocorrido fora do limite da APA não é da competência do ICMBio.
Dentro da unidade de conservação, o auto de infração ambiental do ICMBio usa os mesmos artigos do Decreto 6.514/2008 aplicados pelo IBAMA, mais a subseção própria das unidades de conservação (arts. 84 a 93). O agente indica a multa ambiental pela gravidade, pela capacidade econômica e pelas atenuantes e agravantes, e qualquer valor acima do mínimo precisa ser motivado (art. 70, § 1º, da IN ICMBio 9/2023).
No ICMBio, o processo segue o Decreto 6.514/2008 e a Instrução Normativa ICMBio 9/2023: 20 dias para a defesa, julgamento pelo Gerente Regional e recurso em 20 dias ao Diretor de Criação e Manejo de Unidades de Conservação. Quando a multa ambiental passa de R$ 500 mil, a decisão de 2ª instância depende da ratificação do Presidente do ICMBio.
No mérito, as teses que eu confiro primeiro nesta unidade são: O auto de infração ambiental do art. 90 precisa apontar a regra violada; sem prova do dano, não há infração do art. 91; na fauna, o valor depende da contagem e da espécie.





