Certidão negativa de débitos ambientais negada: e agora?

Avatar photo
Escrito por
Cláudio Farenzena - Advogado Ambiental
Claudio Farenzena, melhor advogado ambiental do Brasil

Converse com especialistas em Direito Ambiental sobre seu caso

A equipe do escritório Farenzena Tonon Advogados está preparada para atender você.

Imagina um produtor rural com a venda de uma área marcada para a semana que vem. O comprador separou o dinheiro, o tabelião pediu a certidão negativa de débitos ambientais, e o sistema do IBAMA respondeu que ela não pode ser emitida.

Se isso aconteceu com você, o caminho é pedir por escrito a certidão positiva e, quando o débito está em recurso, garantido ou parcelado, fundamentar o pedido para que ela tenha os efeitos de uma negativa. Não é automático, mas é um pedido que tem base legal.

Olha só: a recusa da certidão negativa de débitos ambientais não é uma sentença. Ela só mostra que, naquele cruzamento de dados, o seu CPF ou CNPJ tem algum registro de débito. O que é esse registro, de onde veio e se ele ainda pode ser cobrado, isso você precisa descobrir antes de qualquer outra coisa.

A lei já aceita certidão com efeito de negativa mesmo com débito em discussão?

A regra está no Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66), e a página oficial do IBAMA para emissão de certidão lista esse código como base legal do serviço.

O art. 205, parágrafo único, diz que a certidão negativa pedida pelo interessado deve ser fornecida em até 10 dias da entrada do requerimento. Ou seja, o órgão não pode deixar o seu pedido parado.

O art. 206 vai além: tem os mesmos efeitos da negativa a certidão que mostra créditos não vencidos, em cobrança com penhora feita, ou com a exigibilidade suspensa.

E o art. 151 diz o que suspende a exigibilidade: o depósito do valor integral, os recursos administrativos, a liminar na Justiça, o parcelamento e o seguro garantia aceito pelo credor. É a regra que está valendo hoje.

Só que atenção: o CTN trata de crédito tributário, e multa ambiental é dívida não tributária. Levar essa lógica para o seu caso é um pedido que se fundamenta, e não um direito que sai sozinho.

Mesmo assim, se a lei já aceita certidão com efeito de negativa quando a dívida está suspensa, o seu caso merece ser olhado com atenção.

O sistema enxerga o débito, e não o seu recurso

A certidão negativa é emitida pelo próprio interessado no Sicafi, o sistema do IBAMA. Você informa o CPF ou o CNPJ e a resposta sai na hora. A página oficial liga a recusa à existência de débitos registrados.

Quais débitos? Os que o órgão tem anotados contra você: autos de infração, a TCFA (a taxa de fiscalização ambiental) e outros valores que o portal do IBAMA emite em boleto. É por esse tipo de registro que a certidão costuma ser recusada.

Na prática, três situações aparecem muito. Uma multa antiga que você nunca soube que existia. Uma TCFA atrasada de anos atrás. E um auto de infração que você recorreu, mas que segue registrado como débito. Nos três, a tela diz a mesma coisa, e o remédio de cada um é diferente.

Pode acontecer também de o débito nem ser seu. Registro em nome de ex-sócio ou de empresa antiga às vezes aparece no cadastro errado. Precisa ser separado e corrigido.

Atenção a um detalhe: este artigo usa o IBAMA como referência. Órgãos ambientais estaduais e prefeituras têm sistema, nome de certidão e procedimento próprios, e o caminho muda de lugar para lugar.

Venda parada, financiamento negado e licença sem andar

A certidão negativa de débitos ambientais costuma ser pedida em três momentos: quando você compra ou vende uma área, quando pede financiamento e quando precisa de licença ou autorização. Sem ela, o negócio não avança.

Imagina o comprador desistindo, o banco segurando o crédito rural e a janela da safra correndo. Você não consegue vender, não consegue financiar, não consegue renovar nada. E tudo por causa de um papel que o sistema se recusa a imprimir.

O efeito lembra o que acontece quando a multa vai parar no Cadin, o cadastro de inadimplentes do governo. Já explicamos como a multa ambiental no Cadin barra o crédito rural, e a lógica é a mesma: o banco lê o cadastro, e não a sua defesa.

Por isso o tempo pesa. Quanto mais a certidão demora, mais caro fica o negócio parado, porque enquanto o comprador espera ele pede desconto, exige garantia ou procura outra fazenda.

Quantos dias você tem, e quantos o órgão tem para te responder

Comece pelo lado do órgão. O CTN fala em 10 dias da entrada do requerimento (art. 205, parágrafo único), e a página do IBAMA estima até 10 dias úteis para o serviço. Anote a data do seu pedido, porque é ela que conta.

Você tem auto de infração ambiental ou embargo?

Consulte grátis pelo CPF ou CNPJ nas bases públicas do IBAMA, do ICMBio e de órgãos estaduais.

Fontes: IBAMA, ICMBio e órgãos estaduais · até 30 consultas por hora · Guia completo

A negativa sai na hora, pelo Sicafi. Quando não sai, a página oficial diz que você pode solicitar a certidão positiva de débitos pelo Fala.BR ou por e-mail. Faça isso por escrito e guarde o protocolo.

Agora o seu lado, quando o débito vem de um auto de infração ainda em andamento. Pelo art. 71 da Lei 9.605/98, são 20 dias para apresentar defesa, 30 dias para o órgão julgar, 20 dias para recorrer da decisão e 5 dias para pagar depois da decisão final.

Olhe também a idade do débito. Pela Lei 9.873/99, art. 1º, a ação punitiva do órgão prescreve em 5 anos, e o processo parado por mais de 3 anos prescreve de forma intercorrente, ou seja, no meio do caminho. Isso vale para processo federal, como o do IBAMA. Em processo estadual ou municipal, depende de lei local.

Para pagar ou parcelar, o portal do IBAMA emite boleto de TCFA e de parcelamento de auto de infração, e pede conta gov.br de nível ouro. Se você ainda não tem, resolva isso antes de qualquer coisa.

Pedir a negativa de novo e de novo, sem pedir a positiva por escrito

É o erro mais comum. O produtor entra no Sicafi na segunda, na terça, na quarta, esperando que a certidão apareça. Ela não aparece, porque o débito continua lá, e ninguém registrou que você pediu.

O pedido da positiva, por escrito, deixa o requerimento registrado, marca a data do prazo de 10 dias e é o lugar de juntar a prova do recurso, da garantia ou do parcelamento. Sem isso, a conversa fica só na tela.

O segundo erro é pagar o primeiro boleto que aparece. Antes de pagar, confira se o débito é seu, se o valor está certo e se ele não prescreveu. O pagamento pode ser lido como reconhecimento da dívida e dificulta a discussão depois.

O terceiro é deixar tudo na mão do corretor ou do contador. Eles sabem pedir o papel. Mas dizer se o débito é válido, se está vivo e se tem saída, isso não faz parte do trabalho deles.

O que muda com advocacia especializada em certidão negativa de débitos ambientais recusada

Um advogado especializado em certidão negativa de débitos ambientais começa pelo extrato: pede a relação de débitos do seu CPF ou CNPJ no IBAMA e separa registro por registro. Cada um recebe uma resposta diferente.

Débito que não é seu, ele pede para corrigir. Auto parado por anos, ele examina a prescrição. Auto em recurso, ele junta a prova do recurso e fundamenta o pedido de certidão com efeitos de negativa nos arts. 205, 206 e 151 do CTN.

Se o órgão recusar sem motivo claro, ou deixar o pedido sem resposta além do prazo, o caminho pode ser a Justiça. Um escritório especializado em certidão negativa de débitos ambientais avalia se cabe mandado de segurança ou outra ação para obrigar a emissão.

É esse profissional também que monta o plano para o negócio não esfriar: o que mostrar ao comprador, ao banco e ao tabelião enquanto a certidão não sai. Para discutir a multa em si, veja o serviço de anulação ou redução de multa ambiental.

O advogado não faz milagre. Se o débito existe, é seu e está vivo, a saída é pagar ou parcelar. Mas descobrir isso em dias, e não em meses, já protege o negócio.

Certidão negativa de débitos ambientais recusada: o que mais se pergunta

Quanto tempo o IBAMA tem para entregar a certidão?

A negativa sai na hora, pelo Sicafi. A positiva, pedida pelo Fala.BR ou por e-mail, tem estimativa de até 10 dias úteis na página oficial do serviço, e o art. 205, parágrafo único, do CTN fala em 10 dias da entrada do requerimento. Guarde o protocolo para contar o prazo.

Multa em recurso impede a certidão negativa?

Depende de como o auto está registrado no sistema, e isso só o extrato de débitos mostra. O art. 151, III, do CTN trata o recurso administrativo como causa de suspensão da exigibilidade, e o art. 206 dá à certidão com crédito suspenso os mesmos efeitos da negativa. Como o CTN é lei tributária e a multa ambiental é dívida não tributária, o pedido precisa de fundamentação.

Posso vender a fazenda com a certidão positiva?

Isso depende do que o comprador, o tabelião e o banco aceitam. A positiva simples mostra que existe débito. Já a certidão com efeitos de negativa, nos termos do art. 206 do CTN, tem os mesmos efeitos da negativa, e é por isso que ela é o objetivo do pedido.

Parcelar a dívida ambiental ajuda a conseguir a certidão?

Pode ajudar. O art. 151, VI, do CTN lista o parcelamento entre as causas de suspensão da exigibilidade, e o IBAMA emite boleto de parcelamento de auto de infração e de TCFA, com base na Lei 10.522/2002. Antes de parcelar, confira se o débito é devido e se não prescreveu, e peça por escrito que a certidão reflita o parcelamento.

A certidão de órgão estadual ou da prefeitura segue a mesma regra?

Não necessariamente. Cada órgão ambiental tem o seu sistema, o seu nome de certidão e o seu procedimento. Este texto usa o IBAMA como referência, então, para outro órgão, confira a norma local de quem recusou.

Em casos de certidão recusada com negócio marcado, a diferença entre um pedido solto e um pedido fundamentado costuma ser o resultado final.

Procure um advogado especialista em certidão negativa de débitos ambientais para ler o extrato de débitos e avaliar o seu caso antes que o comprador desista.

Sobre o Autor

Cláudio Farenzena

Advogado especialista em Direito Ambiental e do Agronegócio pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), professor do Direito Ambiental e Vice-Presidente do Instituto de Direito Agroambiental (IDAM). Atua desde 2017 em todo o Brasil para defender empresas e produtores rurais em processos administrativos, criminais, ação civil pública e execução fiscal de multa ambiental.

Gostou deste conteúdo? Deixe uma avaliação!

Leia também