Erro de coordenadas anula auto de infração do IBAMA

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Cláudio Farenzena - Advogado Ambiental

Um produtor rural foi multado pelo IBAMA por atividade sem licença, mas o advogado especializado em direito ambiental anulou o auto de infração porque as coordenadas apontavam para uma área a quilômetros dali, registrada em nome de terceiro.

Quem reconheceu a nulidade foi a Justiça Federal, em grau de recurso. Pelas regras de fiscalização do IBAMA, o auto de infração precisa apontar com precisão onde a conduta aconteceu.

Por que isso importa tanto? Sem saber o local exato, o produtor não tem como se defender. Um auto de infração que erra o lugar trava o contraditório e a ampla defesa, a chance de rebater a acusação.

A lei dá ao órgão o poder de autuar, mas exige que a autuação seja clara e verificável. As coordenadas geográficas não são enfeite no papel: são o que prova onde o dano teria ocorrido.

Em primeiro grau, o juiz manteve a multa ambiental. O produtor recorreu pedindo a anulação, e o juízo determinou uma perícia judicial para conferir os pontos indicados pela fiscalização.

Mas o tribunal anulou o auto de infração. A perícia mostrou que o ponto descrito ficava a vários quilômetros das terras do produtor, em imóvel de outra pessoa. As coordenadas estavam erradas.

E o embargo que veio junto? Caiu também. Anulado o auto de infração, cai o termo de embargo e caem as penalidades que dependiam dele.

Pode parecer detalhe técnico. Mas a localização correta da infração separa um auto de infração válido de um auto de infração nulo. Sem ela, a multa não para em pé.

O vício insanável, ou seja, o defeito que não dá para corrigir depois, não salta aos olhos de quem recebe a multa. Um advogado especializado em direito ambiental sabe onde olhar: confere as coordenadas e cruza com a matrícula do imóvel.

A partir daí, o caminho é pedir a anulação da multa ambiental, como em outro caso em que um vício na descrição derrubou o auto de infração.

Um ponto que muita gente ignora: ser autuado não é ser condenado. Vale conferir se as coordenadas do auto realmente caem dentro da sua propriedade.

Antes de pagar a multa ou aceitar o resultado, procure um advogado especializado em direito ambiental. Em casos como esse, a defesa especializada pode mudar o resultado.

Por que um erro de coordenadas anula o auto de infração?

Porque o auto de infração precisa apontar com precisão onde a conduta aconteceu. Quando as coordenadas indicam uma área a quilômetros dali, ou o imóvel de outra pessoa, o autuado não tem como se defender. Sem o local certo, falta a descrição clara exigida por lei e o auto de infração se torna nulo.

A exigência está no art. 97 do Decreto 6.514/2008, que manda o auto de infração conter a descrição clara e objetiva da conduta. As coordenadas geográficas não são enfeite no papel: são o que prova onde o suposto dano teria ocorrido.

Sem o local exato, o autuado não consegue exercer o contraditório e a ampla defesa, garantidos pelo art. 5º, LV, da Constituição. Não dá para rebater uma acusação que aponta um lugar errado.

Aqui aparece uma distinção que confunde muita gente. Um erro pequeno de digitação pode ser corrigido. Já uma coordenada que cai na propriedade de terceiro, a quilômetros de distância, é um vício insanável, ou seja, um defeito que não dá para corrigir depois.

Foi isso que a Justiça reconheceu neste caso. A perícia mostrou que o ponto descrito ficava fora das terras do produtor, e o auto de infração caiu, junto com o embargo que dependia dele.

O que dá para alegar na defesa contra um auto de infração com coordenadas erradas?

A defesa alega, primeiro, o erro na localização. Quando as coordenadas do auto de infração apontam para fora da propriedade autuada, some a prova de onde o dano teria ocorrido. Sem local certo, a autuação perde o fundamento.

O segundo argumento é a violação do contraditório e da ampla defesa. Um auto que erra o lugar impede o autuado de se defender, o que contraria o art. 5º, LV, da Constituição e a exigência do art. 97 do Decreto 6.514/2008.

Vale pedir perícia judicial para conferir os pontos indicados pela fiscalização. Foi a perícia que, neste caso, revelou que a coordenada caía em imóvel de terceiro, registrado em outra matrícula.

Também se sustenta o efeito em cadeia. Anulado o auto de infração, cai o termo de embargo e caem as multas que dependiam dele, porque dependiam da validade daquele auto de infração.

Um advogado especializado em direito ambiental cruza as coordenadas do auto com a matrícula do imóvel e com imagens de satélite, para mostrar ao juízo que a área descrita não pertence ao autuado.

O que você deve fazer se recebeu um auto de infração com localização errada?

Se você recebeu um auto de infração e desconfia da localização, o primeiro passo é conferir as coordenadas indicadas no documento. Lance os pontos em um mapa e compare com a matrícula e com os limites da sua propriedade. É esse cruzamento que revela se a fiscalização errou o lugar.

Não pague a multa nem cumpra o embargo antes dessa checagem. Aceitar a autuação pode dificultar a discussão sobre o erro de localização.

Organize a defesa nesta ordem:

  1. Anote as coordenadas exatas que constam no auto de infração.
  2. Reúna a matrícula do imóvel e o mapa da propriedade.
  3. Lance os pontos em um mapa e verifique se caem dentro das suas terras.
  4. Guarde imagens de satélite da data indicada pela fiscalização.
  5. Procure um advogado especializado em direito ambiental para requerer a perícia.

Nem todo erro no auto de infração tem o mesmo efeito, e vale saber o que pode ser corrigido e o que anula a autuação. A tabela abaixo separa os dois casos.

Erro que pode ser corrigido Vício que anula o auto de infração
Troca de letra ou dado formal simples Coordenada em propriedade de terceiro
Erro material sem prejuízo à defesa Local a quilômetros da área autuada
Retificação que não muda o fato Descrição que impede o contraditório

Na leitura da tabela: um deslize formal, que não atrapalha a defesa, costuma ser corrigido sem derrubar a autuação. Já a coordenada que aponta o imóvel errado impede o autuado de se defender e configura o vício insanável que anula o auto de infração. A diferença está no prejuízo concreto à defesa.

Perguntas frequentes

O que precisa constar em um auto de infração ambiental?

O auto de infração ambiental precisa conter a descrição clara e objetiva da conduta, os dispositivos legais infringidos e a identificação do autuado, conforme o art. 97 do Decreto 6.514/2008. A localização exata do fato é parte dessa descrição, porque é o que permite verificar onde o dano teria ocorrido. Sem esses elementos, o autuado não consegue se defender, e a autuação fica vulnerável à nulidade. Um auto vago ou com o local errado desrespeita o contraditório e a ampla defesa. Por isso a conferência de cada dado do auto de infração é o começo de qualquer defesa.

Coordenada errada no auto de infração gera nulidade?

Pode gerar, sim. Quando a coordenada do auto de infração aponta para fora da propriedade autuada, ou para o imóvel de outra pessoa, desaparece a prova de onde o dano teria acontecido. Isso impede a defesa e caracteriza um vício insanável, que não se corrige depois. O art. 97 do Decreto 6.514/2008 exige descrição clara e objetiva, e a localização é parte dela. A jurisprudência vem anulando autuações em que a perícia comprova o erro de localização. Um simples erro de digitação, porém, sem prejuízo à defesa, costuma ser tratado como falha corrigível.

Anulado o auto de infração, o que acontece com o embargo?

Quando o auto de infração é anulado, o embargo que veio junto também cai. O embargo ambiental é a ordem do órgão proibindo a pessoa de continuar usando a área, e ele depende da validade da autuação que o originou. Se o auto é nulo por erro de localização, o termo de embargo fica sem fundamento e deixa de produzir efeitos. O mesmo vale para as multas ligadas àquele auto. É o chamado efeito em cadeia: derrubada a autuação principal, caem as penalidades que dependiam dela.

Como provo que as coordenadas do auto estão erradas?

A prova principal é a perícia judicial, que confere no local os pontos indicados pela fiscalização. O autuado pode reunir a matrícula do imóvel, o mapa da propriedade e imagens de satélite da data da suposta infração. O cruzamento desses dados mostra se a coordenada cai dentro ou fora das terras. Quando o ponto está em imóvel de terceiro, a perícia costuma confirmar o erro e derrubar o auto de infração. Guardar a documentação desde o início facilita esse trabalho técnico e dá base ao pedido de nulidade.

Ser autuado pelo IBAMA já significa que vou pagar a multa?

Não. Ser autuado não é ser condenado. O auto de infração abre um processo em que o autuado tem direito de defesa, tanto na esfera administrativa quanto na Justiça. Muitas autuações têm vícios, como erro de localização, descrição genérica ou falta de prova, que permitem a anulação. Antes de pagar, vale conferir cada dado do auto e cruzar as coordenadas com a matrícula do imóvel. Um advogado especializado em direito ambiental avalia se há fundamento para pedir a anulação da multa.

Recebeu auto de infração? Foi multado por atividade sem licença? Desconfia das coordenadas? Cada caso exige análise individualizada por advogado especializado em direito ambiental, seja para pedir a anulação do auto de infração ambiental ou para explorar o mesmo tipo de vício que já levou à anulação de um auto por descrição genérica.

Sobre o Autor

Cláudio Farenzena

Advogado especialista em Direito Ambiental e do Agronegócio pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), professor do Direito Ambiental e Vice-Presidente do Instituto de Direito Agroambiental (IDAM). Atua desde 2017 em todo o Brasil para defender empresas e produtores rurais em processos administrativos, criminais, ação civil pública e execução fiscal de multa ambiental.

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