Inércia do Estado extingue execução de multa ambiental

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Cláudio Farenzena - Advogado Ambiental
Claudio Farenzena, melhor advogado ambiental do Brasil

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Uma empresa foi cobrada judicialmente por multa ambiental, mas o advogado especializado em direito ambiental conseguiu extinguir a execução fiscal porque o órgão estadual ficou mais de três anos sem movimentar o processo administrativo que embasava a cobrança.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro reconheceu a prescrição intercorrente, ou seja, a perda do direito de cobrar a multa ambiental em razão da inércia prolongada do próprio órgão público. A base legal é o artigo 74 da Lei estadual 5.427/2009, que fixa prazo para a administração movimentar seus processos.

A execução fiscal é o processo em que o órgão público cobra a multa ambiental na Justiça depois de inscrita a dívida em certidão. É o passo final da cobrança administrativa. Mas o Estado também tem prazos a cumprir — e a inércia do próprio órgão tem consequências.

Se o processo administrativo de multa ambiental fica parado por mais de três anos por omissão da administração, o direito de cobrar prescreve. Não é a inércia do autuado que gera a prescrição intercorrente: é a inércia do próprio Estado.

O órgão ambiental estadual ajuizou a execução fiscal. A empresa opôs embargos à execução apontando a prescrição intercorrente. Em primeiro grau, o juiz acolheu e extinguiu o processo. O Estado recorreu.

O tribunal disse não. Os desembargadores reconheceram que houve inércia por mais de três anos no processo administrativo de multa ambiental, sem que o órgão tomasse qualquer providência para movimentá-lo.

Pode parecer detalhe. Mas o prazo para a administração atuar é exatamente o que separa uma cobrança de multa ambiental legítima de uma execução fiscal que não pode mais prosseguir. O autuado não pode ser penalizado pela omissão do órgão.

O caminho é questionar as datas: quando o processo administrativo de multa ambiental foi encerrado e quando o prazo prescricional começou a correr. Um advogado especializado em direito ambiental faz esse levantamento e identifica se a prescrição intercorrente já se consumou.

Isso vale também para quem já está sendo executado judicialmente. Não é tarde demais para verificar se a prescrição intercorrente se consumou antes mesmo de o processo chegar à Justiça. A multa ambiental antiga pode ter perdido o lastro legal para ser cobrada.

Um advogado especializado em multa ambiental sabe onde procurar esse tipo de vício. E quando encontra, o resultado pode ser a extinção total da cobrança fiscal.

Conhecer os próprios direitos é o primeiro passo. Quem foi autuado e está sendo cobrado em execução fiscal pode buscar orientação especializada em direito ambiental para entender as possibilidades de defesa e extinção da cobrança.

Qual julgado extinguiu a execução fiscal por inércia do Estado?

A decisão que dá origem a este informe é uma apelação cível julgada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, processo nº 0011640-67.2016.8.19.0023, com acórdão publicado em 02/02/2023.

O caso começou com uma execução fiscal ajuizada para cobrar multa ambiental já inscrita em dívida ativa. A parte executada opôs embargos à execução e mostrou que o processo administrativo havia ficado paralisado.

O Estado recorreu sustentando que não havia prescrição nenhuma. O tribunal respondeu que a inércia da administração em movimentar o processo administrativo por mais de 3 anos consumou a prescrição intercorrente.

O recurso do Estado foi desprovido e a execução fiscal seguiu extinta. É um caso real, de número público, e não um exemplo hipotético.

Por que uma multa ambiental parada prescreve?

Porque a lei marca prazo para a administração decidir, e não só para o autuado se defender. Quando o processo administrativo de multa ambiental fica paralisado, sem ato de apuração ou decisão de julgamento, o direito de punir se extingue. No julgado comentado, o marco foi o art. 74, §1º, da Lei estadual 5.427/2009, que reconhece a prescrição intercorrente depois de 3 anos de paralisia.

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A lógica não é do Rio de Janeiro. Na esfera federal, a Lei 9.873/99 traz no art. 1º, §1º a mesma regra: processo administrativo parado por mais de 3 anos, aguardando julgamento ou despacho, gera prescrição intercorrente.

E aqui entra a distinção que mais confunde quem recebeu uma multa ambiental. A prescrição punitiva é o prazo de 5 anos que o órgão tem para apurar e julgar a infração, contado do dia do fato. A prescrição intercorrente é outra coisa: são 3 anos de paralisia dentro do processo já instaurado. Uma pode não ter corrido e a outra, sim.

Há ainda uma terceira confusão comum. O dano ambiental em si é imprescritível, e a obrigação de recuperar a área não desaparece com o tempo. A multa ambiental, ao contrário, é sanção administrativa e prescreve. São dois trilhos distintos, e o autuado pode perder um e ganhar o outro.

O que dá para alegar na defesa contra a cobrança?

A primeira tese é a mais direta: apontar o intervalo morto. Entre o último ato útil do processo administrativo e o ato seguinte do órgão, houve mais de 3 anos? Se houve, a prescrição intercorrente se consumou e a multa ambiental virou letra morta.

A segunda tese ataca os atos que o órgão apresenta como prova de que o processo andou. Nem todo papel juntado interrompe prazo. Despacho de mero expediente, juntada de documento e remessa interna entre setores não são atos de apuração, como já se decidiu em caso sobre despachos que não interrompem a prescrição da multa do IBAMA.

A terceira tese olha para a contagem do prazo punitivo. Em muitos casos a prescrição punitiva de 5 anos também já havia fechado antes da decisão final, e o tema aparece bem em julgados sobre multa ambiental estadual que prescreve após 5 anos parada. Vale alegar as duas em conjunto, porque bastam uma delas para derrubar a cobrança.

E existe a tese da nulidade da certidão de dívida ativa. Se o crédito foi inscrito depois de prescrito, a certidão nasce sem lastro e a execução fiscal extinta é a consequência natural. O ponto que muita gente ignora é este: a inércia é do Estado, não do autuado.

O que você deve fazer se está sendo executado?

Comece pelas datas. O processo administrativo de multa ambiental tem começo, meio e fim documentados, e é nesse calendário que a defesa nasce ou morre.

  1. Peça vista ou cópia integral do processo administrativo que gerou a multa ambiental, inclusive as folhas de tramitação interna.
  2. Monte uma linha de tempo com a data da autuação, a data da defesa, a data de cada despacho e a data da decisão final.
  3. Marque todo intervalo superior a 3 anos sem ato de apuração ou decisão, que é o que caracteriza a prescrição intercorrente.
  4. Confira a data de inscrição em dívida ativa e a data de ajuizamento da execução fiscal.
  5. Observe o prazo dos embargos à execução, que é curto e depende da garantia do juízo ou da penhora.

Esse levantamento revela qual dos prazos foi estourado. Para facilitar a leitura, vale ter em mente que a multa ambiental atravessa prazos diferentes, cada um com sua contagem própria e seu efeito próprio.

Prazo Duração Quando corre
Prescrição punitiva 5 anos Do dia da infração até a decisão administrativa final
Prescrição intercorrente 3 anos Processo administrativo já instaurado e paralisado
Prescrição executória 5 anos Da constituição definitiva do crédito até o ajuizamento

Ou seja: o órgão pode ter respeitado os 5 anos da prescrição punitiva e ainda assim perder o crédito pelos 3 anos de paralisia. Quem quiser entender melhor esse desenho encontra um panorama em material sobre prescrição intercorrente na execução fiscal de multa ambiental.

Com a linha de tempo na mão, o passo seguinte é técnico. Um advogado especializado em direito ambiental cruza as datas com os prazos legais e define se o caminho é embargos à execução, exceção de pré-executividade ou trabalho de anulação ou redução da multa ambiental.

Perguntas frequentes

A prescrição intercorrente vale para multa ambiental estadual?

Vale, e o julgado comentado é exatamente disso. Cada estado tem sua lei de processo administrativo, e no caso analisado o fundamento foi o art. 74, §1º, da Lei estadual 5.427/2009, do Rio de Janeiro. No plano federal, o art. 1º, §1º, da Lei 9.873/99 fixa a mesma regra de 3 anos. Quando a lei estadual é silente, a defesa costuma invocar a lei federal por analogia. O que não muda é o efeito: o processo administrativo de multa ambiental paralisado por mais de 3 anos perde a força de gerar cobrança.

Qual a diferença entre prescrição punitiva e intercorrente?

A prescrição punitiva é o prazo total de 5 anos que o órgão ambiental tem para apurar a infração e decidir, contado do dia do fato ou, na infração permanente, do dia em que ela cessou. A prescrição intercorrente é interna ao processo: são 3 anos de paralisia depois que o processo já foi instaurado. Uma trata do prazo global, a outra do tempo morto no meio do caminho. É comum que só a intercorrente tenha corrido, e ela sozinha já basta para derrubar a multa ambiental.

Ser cobrado em execução fiscal significa que não há mais defesa?

Não. A execução fiscal, processo em que o órgão cobra a multa na Justiça, admite defesa própria. O caminho clássico são os embargos à execução, em que o executado aponta prescrição, nulidade da certidão de dívida ativa ou vício do processo administrativo. Em matéria de prescrição, que não exige prova nova, também se usa a exceção de pré-executividade, apresentada por simples petição. Foi o que aconteceu no julgado comentado: os embargos foram acolhidos e a cobrança caiu. Estar sendo executado é o momento de agir, não de desistir.

Qualquer despacho do órgão interrompe o prazo?

Não. Só interrompe o prazo o ato que efetivamente impulsiona a apuração, como a notificação válida do autuado, a realização de diligência ou a decisão de julgamento. Despacho de mero expediente, juntada de documento e remessa de um setor para outro não movimentam o mérito e, por isso, não afastam a prescrição intercorrente. É frequente o órgão juntar ao processo uma pilha de papéis desse tipo para sustentar que houve andamento. Conferir a natureza de cada ato, e não apenas a data, é parte central da defesa.

Se a multa prescreve, a obrigação de recuperar a área também cai?

Não cai. A prescrição atinge a sanção administrativa, ou seja, a multa ambiental inexigível deixa de poder ser cobrada. A obrigação de reparar o dano ambiental segue outro regime e é tratada como imprescritível pelos tribunais. Na prática, o produtor ou a empresa pode se livrar da cobrança em dinheiro e continuar obrigado a recompor a vegetação ou cumprir um acordo com o órgão ambiental, conhecido como TAC. São frentes separadas e cada uma exige uma estratégia própria.

A primeira coisa a fazer é uma análise técnica do processo administrativo e da certidão que embasa a execução fiscal. É essa leitura que revela se existe vício de prescrição que justifica a extinção da cobrança. Procure um advogado especializado em direito ambiental para essa avaliação.

Sobre o Autor

Cláudio Farenzena

Advogado especialista em Direito Ambiental e do Agronegócio pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), professor do Direito Ambiental e Vice-Presidente do Instituto de Direito Agroambiental (IDAM). Atua desde 2017 em todo o Brasil para defender empresas e produtores rurais em processos administrativos, criminais, ação civil pública e execução fiscal de multa ambiental.

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