Decisões Comentadas

Processo parado 3 anos: auto de infração suspenso por prescrição

Escrito por
Cláudio Farenzena - Advogado Ambiental

Um proprietário rural foi autuado pelo IBAMA e esperou anos por uma decisão final sobre o auto de infração ambiental. O advogado especializado em direito ambiental conseguiu suspender os efeitos da multa ambiental por tutela provisória porque o processo ficou paralisado por mais de três anos após a decisão de primeira instância, sem qualquer ato que interrompesse a prescrição intercorrente.

A Justiça Federal deferiu a tutela com fundamento no § 1º do art. 1º da Lei 9.873/1999, que prevê a prescrição intercorrente quando o procedimento administrativo fica paralisado por mais de três anos. O STJ, em Tema Repetitivo 328, já fixou a tese: é de três anos o prazo para a conclusão do processo administrativo de apuração de infração administrativa.

A lei é clara: incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho. Isso vale mesmo depois de proferida uma decisão de primeira instância. Se a Administração não tomar providência efetiva para chegar ao desfecho final, o prazo corre. Passados os três anos, o direito de punir está extinto.

No caso, o auto de infração ambiental foi lavrado em 2016. O processo teve movimentações iniciais, mas a decisão de primeira instância foi proferida em maio de 2019. De lá até o ajuizamento da ação, em agosto de 2023, passaram mais de quatro anos sem notificação sobre a decisão nem qualquer ato que impulsionasse o processo para o encerramento. O IBAMA não demonstrou qualquer fato suspensivo ou interruptivo do prazo.

Mas o IBAMA sustentou que havia despachos e encaminhamentos internos no processo. O juízo afastou esse argumento diretamente: meros despachos de encaminhamento e atos burocráticos de organização processual não têm o condão de interromper a prescrição intercorrente. Não é detalhe, é exigência: o ato precisa ter conteúdo decisório ou instrutório real, voltado para a apuração dos fatos.

Assim, a prescrição intercorrente foi reconhecida entre a decisão de primeira instância e a notificação posterior ao autuado, período em que o processo ficou estagnado. A tutela suspendeu os efeitos do auto de infração ambiental e de qualquer restrição de crédito decorrente da multa ambiental. Confira como a inércia do IBAMA também anulou multa ambiental em outro caso julgado pela Justiça Federal.

Isso muda o cenário para qualquer produtor rural ou proprietário que tenha um auto de infração ambiental com processo administrativo parado. A prescrição intercorrente não exige que o processo tenha ficado completamente quieto: basta que não haja ato efetivamente decisório ou instrutório por mais de três anos. Um advogado especializado em direito ambiental sabe identificar esse intervalo analisando os andamentos do processo administrativo.

O vício que derrubou essa autuação não aparece para quem lê o auto pela primeira vez. Um advogado especializado em auto de infração ambiental mapeia a cronologia do processo administrativo, identifica a paralisação e entra com a ação antes que o IBAMA tome alguma providência tardia. Conheça os tipos de prescrição no processo administrativo ambiental e entenda qual pode se aplicar ao seu caso. Ver o serviço de anulação de multa ambiental e entender as possibilidades de defesa é o passo seguinte.

A primeira coisa a fazer é uma análise técnica do auto de infração ambiental e do histórico do processo administrativo. É essa leitura que revela se existe prescrição intercorrente que justifique a anulação ou suspensão da multa ambiental. Procure um advogado especializado em direito ambiental para essa avaliação.

Gostou deste conteúdo? Deixe uma avaliação!

Tenha os melhores especialistas em Direito Ambiental do Brasil trabalhando no seu caso

Nossa equipe está preparada para atender você. Entre em contato agora mesmo.