Absolvição no crime ambiental de pesca sem captura

Avatar photo
Escrito por
Cláudio Farenzena - Advogado Ambiental
Claudio Farenzena, melhor advogado ambiental do Brasil

Converse com especialistas em Direito Ambiental sobre seu caso

A equipe do escritório Farenzena Tonon Advogados está preparada para atender você.

Um pescador foi denunciado por crime ambiental por pescar em local proibido, mas o advogado especializado em crime ambiental conseguiu a absolvição porque ele não capturou nenhum peixe.

Quem manteve a absolvição foi o STJ. A pesca em local proibido está no art. 34 da Lei 9.605/98, a Lei de Crimes Ambientais.

A lei pune quem pesca em período ou lugar proibido, com pena de detenção e multa. Mas nem toda pesca proibida vira crime ambiental de verdade.

Foi o que aconteceu aqui. O pescador foi flagrado apenas com vara e molinete, sem nenhum pescado e sem qualquer petrecho proibido.

O Ministério Público recorreu, sustentando que a falta de peixe apreendido não afastaria o crime. Queria reverter a absolvição e condenar o homem.

Mas o tribunal negou o recurso. Os ministros entenderam que, sem captura e sem dano relevante, não havia crime ambiental a punir.

Como o tribunal chegou aí? A lógica é simples: entra o princípio da insignificância, e a conduta perde a tipicidade, deixa de ser crime.

Sem peixe, sem dano, sem crime. É a chamada atipicidade material: o fato até existe, mas não tem peso para virar crime ambiental punível.

E faz sentido. O bem protegido é o meio ambiente, não o ato de segurar uma vara. Sem lesão concreta ao ecossistema, falta razão para punir.

Vou ser condenado por isso? É a primeira pergunta de quem responde por crime ambiental. Um advogado especializado em crime ambiental responde isso antes de qualquer outra coisa.

Quem é réu primário e foi pego sem causar dano real tem bom argumento. O caminho é avaliar se cabe defesa por atipicidade, como em outro caso de pesca que terminou bem para o autuado.

Mas atenção: nem toda pesca escapa. Reincidência ou grande quantidade mudam o jogo. Ainda assim, sem peixe, o pescador pode não cometer crime.

O erro mais comum é achar que flagrante já é condenação. Não é. Entre o auto e a sentença existe defesa, e é nela que se discute a tipicidade da conduta.

Decisões assim só beneficiam quem age dentro do prazo. Quem foi denunciado deve procurar um advogado especializado em crime ambiental antes que o prazo de defesa se esgote.

Qual julgado absolveu o pescador que não capturou nada?

A decisão saiu em um Agravo Regimental no Recurso Especial, processo nº AgRg no REsp 2137597/SC (2024/0138583-9), julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), com acórdão publicado em 11 de outubro de 2024.

Um pescador foi flagrado em local proibido apenas com vara e molinete. Não havia peixe apreendido nem petrecho proibido, e as instâncias anteriores já tinham reconhecido a atipicidade da conduta.

O Ministério Público recorreu dizendo que a falta de pescado apreendido não afasta o crime. O tribunal respondeu que, sem captura e sem petrecho proibido, a ofensa ao meio ambiente foi mínima.

O agravo do Ministério Público foi desprovido e a absolvição por insignificância ficou mantida. É um caso real, de número público, e não um exemplo hipotético.

Por que a pesca sem captura não vira crime ambiental?

Porque o crime ambiental de pesca exige lesão concreta ao meio ambiente. Quem é flagrado só com vara e molinete, sem nenhum peixe e sem petrecho proibido, não causou dano relevante. Sem dano, aplica-se o princípio da insignificância e a conduta perde a tipicidade: deixa de ser crime ambiental punível.

A pesca em local ou período proibido está no art. 34 da Lei 9.605/98, a Lei de Crimes Ambientais. A pena prevista é de um a três anos de detenção, ou multa, ou as duas penas juntas.

Você tem auto de infração ambiental ou embargo?

Consulte grátis pelo CPF ou CNPJ nas bases públicas do IBAMA, do ICMBio e de órgãos estaduais.

Fontes: IBAMA, ICMBio e órgãos estaduais · até 30 consultas por hora · Guia completo

Mas existe uma distinção que confunde muita gente. Nem toda pesca irregular é crime ambiental. A mesma conduta pode gerar só uma multa administrativa, e não uma ação penal, quando não há dano ambiental de verdade.

O bem protegido pela lei é o meio ambiente, não o simples ato de segurar uma vara. O STJ e o STF vêm aplicando o princípio da insignificância quando a pesca não retira nada do ecossistema.

Foi isso que a Justiça reconheceu neste caso, na mesma linha de outras decisões em que a insignificância afastou o crime ambiental de pesca. Sem captura e sem dano, a absolvição se impõe.

O que dá para alegar na defesa de um crime ambiental de pesca?

A defesa alega, antes de tudo, a atipicidade material: o fato aconteceu, mas não tem peso para virar crime ambiental. Sem peixe capturado e sem lesão ao ecossistema, falta o dano que a lei quer punir. É o núcleo do princípio da insignificância aplicado à pesca.

O segundo argumento é a ausência de captura. Ser flagrado apenas com vara e molinete, sem nenhum pescado, mostra que não houve retirada de fauna. O art. 34 da Lei 9.605/98 pune a pesca que efetivamente agride o meio ambiente.

Vale também sustentar a falta de perícia sobre o material apreendido. Sem laudo que comprove a espécie, a quantidade ou o dano, a acusação por crime ambiental fica sem prova técnica. Quando o aparelho apreendido é o centro da acusação, a frente própria é a defesa em crime ou multa por pesca com petrechos proibidos.

A condição de réu primário, sem antecedentes, reforça a tese. Quem nunca respondeu por infração ambiental e foi pego sem causar dano concreto tem bom fundamento para pedir a absolvição.

Um advogado especializado em crime ambiental reúne esses pontos e mostra ao juízo que a conduta não passou de uma tentativa inofensiva, sem lesão que justifique a pena.

O que você deve fazer se foi denunciado por crime ambiental de pesca?

Se você foi denunciado por crime ambiental de pesca, o primeiro passo é entender que flagrante não é condenação. Entre o auto e a sentença existe defesa, e é nela que se discute se a conduta causou dano. Guarde todos os documentos e não assine acordos sem orientação.

Reúna as informações do dia da abordagem: o que foi apreendido, se havia peixe, se havia petrecho proibido e como a fiscalização descreveu o fato.

Organize a defesa nesta ordem:

  1. Guarde o auto de infração e o boletim de ocorrência com a data em que tomou ciência.
  2. Anote se algum peixe foi apreendido e em que quantidade.
  3. Verifique se houve perícia sobre o material e o suposto dano.
  4. Levante provas de que você é réu primário, sem outras autuações ambientais.
  5. Procure um advogado especializado em crime ambiental antes do prazo de defesa se esgotar.

Alguns fatores afastam ou reduzem a punição, e outros a agravam. A tabela abaixo mostra o que costuma pesar na análise de um crime ambiental de pesca.

Fatores que afastam o crime Fatores que agravam
Nenhum peixe capturado Grande quantidade de pescado
Réu primário, sem antecedentes Reincidência em infração ambiental
Só vara e molinete, sem petrecho proibido Rede, tarrafa ou explosivo proibidos
Ausência de dano ao ecossistema Pesca em unidade de conservação

A leitura da tabela é direta: quando o autuado é primário, não capturou nada e não usou petrecho proibido, o princípio da insignificância tende a afastar o crime ambiental. Já a reincidência ou a grande quantidade de peixe empurram o caso para a condenação. Por isso cada situação precisa de análise individual.

Perguntas frequentes

Pescar em local proibido é sempre crime ambiental?

Não. Pescar em local ou período proibido pode configurar o crime ambiental do art. 34 da Lei 9.605/98, mas depende de haver lesão real ao meio ambiente. Quando não há captura nem dano relevante, o STJ e o STF vêm aplicando o princípio da insignificância e afastando o crime. A mesma conduta pode gerar apenas uma multa administrativa, que é diferente da ação penal. A distinção importante é esta: a infração administrativa pune com multa, e o crime ambiental exige processo penal e prova de dano. Por isso nem todo flagrante de pesca vira condenação criminal.

O que é o princípio da insignificância na pesca?

O princípio da insignificância é a regra que afasta o crime quando a conduta não causa lesão relevante ao bem protegido, que aqui é o meio ambiente. Na pesca, ele se aplica quando o autuado não captura peixe ou retira uma quantidade mínima, sem impacto no ecossistema. O STJ vem reconhecendo que, nesses casos, falta a tipicidade material: o fato existe, mas não tem peso para ser crime ambiental. Não se confunde com perdão: o juiz reconhece que não houve crime a punir. Réu primário e ausência de dano são os fatores que mais favorecem essa tese, que também alcança outras condutas, como no caso de absolvição em crime ambiental de guarda de aves.

Qual é a pena do crime ambiental de pesca?

A pena do crime ambiental de pesca do art. 34 da Lei 9.605/98 é de um a três anos de detenção, ou multa, ou as duas penas aplicadas juntas. O valor da multa e o tempo de detenção variam conforme a gravidade e as circunstâncias. Mas a existência da pena no papel não significa condenação automática. Quem é réu primário e não causou dano concreto pode ser absolvido pela atipicidade da conduta. A defesa técnica discute justamente se houve ou não o dano que a lei exige para punir.

Fui flagrado sem nenhum peixe, posso ser condenado?

É possível ser denunciado, mas a condenação fica difícil quando não houve captura. O crime ambiental de pesca exige lesão ao meio ambiente, e a fiscalização precisa provar o dano. Sem peixe apreendido e sem perícia que demonstre impacto no ecossistema, a acusação fica sem prova técnica. Nesses casos, o princípio da insignificância costuma levar à absolvição. Vale reunir tudo o que mostre a ausência de dano e a condição de réu primário. Um advogado especializado em crime ambiental avalia se cabe pedir a absolvição por atipicidade.

Qual a diferença entre a multa administrativa e o crime ambiental de pesca?

São coisas distintas que podem surgir do mesmo fato. A multa administrativa é aplicada pelo órgão ambiental e cobrada na esfera administrativa, com base no Decreto 6.514/2008. O crime ambiental de pesca tramita na Justiça criminal, com base no art. 34 da Lei 9.605/98, e pode levar a pena de detenção. Uma pessoa pode responder só à multa, só ao processo penal, ou aos dois. Reconhecer a insignificância no crime não apaga automaticamente a multa administrativa, que segue a sua própria discussão. Por isso convém tratar as duas frentes com defesa especializada.

O mesmo raciocínio já rendeu resultado em outro caso em que a pesca mínima levou ao trancamento da ação penal.

Em casos de crime ambiental de pesca, a diferença entre uma defesa genérica e uma defesa especializada costuma ser o resultado final. Procure um advogado com atuação em direito ambiental, capaz de avaliar a defesa em ação penal por crime ambiental de pesca.

Sobre o Autor

Cláudio Farenzena

Advogado especialista em Direito Ambiental e do Agronegócio pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), professor do Direito Ambiental e Vice-Presidente do Instituto de Direito Agroambiental (IDAM). Atua desde 2017 em todo o Brasil para defender empresas e produtores rurais em processos administrativos, criminais, ação civil pública e execução fiscal de multa ambiental.

Gostou deste conteúdo? Deixe uma avaliação!
5/5 (1 votos)

Leia também