Multa de desmatamento cai por valor fixo por hectare

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Cláudio Farenzena - Advogado Ambiental

Um pequeno produtor rural foi multado por desmatamento em valor expressivo, mas o advogado especializado em direito ambiental conseguiu a redução da multa ambiental porque a autoridade fixou a sanção com valor fixo por hectare, ignorando a não reincidência e a condição econômica do infrator.

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região negou provimento ao recurso do órgão ambiental em sede de apelação cível. A base legal é o art. 6º da Lei 9.605/98, que veda a fixação da multa ambiental sem análise individualizada do infrator, do fato e de suas consequências.

A lei é clara: para graduar a penalidade, a autoridade deve observar a gravidade da infração, os antecedentes do infrator e a situação econômica do autuado. Aplicar multa de desmatamento com base em valor fixo por hectare, sem considerar nada disso, viola o princípio da individualização da pena — e contraria a jurisprudência consolidada dos tribunais federais.

Em primeiro grau, o juiz reconheceu a desproporcionalidade e reduziu a multa ambiental de forma expressiva. O órgão ambiental recorreu sustentando que o critério por hectare era objetivo e legalmente admitido.

Mas o tribunal disse não. Os desembargadores foram diretos: a autoridade não considerou a não reincidência do infrator nem sua condição socioeconômica. A área, inclusive, não havia sido embargada por ser utilizada para a subsistência da família. A multa de desmatamento havia sido calculada com um critério único, sem qualquer ponderação do caso concreto.

A desproporcionalidade ficou evidente. A multa ambiental foi reduzida para menos de um décimo do valor original. O tribunal confirmou: a orientação da Corte é que a multa deve ter em conta a situação fática e os critérios legais em respeito ao princípio da individualização da pena.

Isso muda o cenário para qualquer produtor rural autuado por desmatamento. Quem recebe uma multa ambiental calculada com base em tabela fixa por área tem fundamento para questionar o cálculo. Veja como funciona esse raciocínio em outro julgado sobre multa de desmatamento com valor fixo por hectare reduzida pelo tribunal. O portal Comunidade Ambiental explica por que a multa ambiental não pode considerar apenas a quantidade desmatada. Um advogado especializado em direito ambiental pode revisar a dosimetria e identificar se os critérios legais foram observados. Conheça o serviço de anulação ou redução de multa ambiental.

Quem foi autuado por desmatamento tem direito a defesa. Procure um advogado ambiental para avaliar a metodologia de cálculo da multa aplicada.

Por que o órgão ambiental calcula a multa de desmatamento por hectare?

Porque o Decreto 6.514/2008 autoriza o cálculo por unidade de medida. O art. 4º do decreto determina que a multa tenha por base a unidade, o hectare, o metro cúbico, o quilograma ou outra medida pertinente ao bem lesado. O valor por hectare é o ponto de partida do cálculo, e não o resultado final da multa de desmatamento.

A confusão começa nesse ponto. O agente que lavra o auto de infração multiplica a área pelo valor unitário e chega a um número. Esse número é a base. Depois dele, a lei exige uma segunda etapa, e é justamente a segunda etapa que costuma faltar.

A segunda etapa está no art. 6º da Lei 9.605/98. A autoridade tem que observar a gravidade do fato e suas consequências, os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação ambiental e a situação econômica de quem foi autuado. Os três critérios são obrigatórios, não facultativos.

O art. 11 do Decreto 6.514/2008 repete a mesma exigência para o agente autuante federal. Ou seja, o dever de graduar a multa de desmatamento não é criação dos tribunais: está escrito na lei e no decreto que o próprio órgão ambiental aplica todos os dias.

Há uma distinção que confunde quem recebe a autuação. Gravidade da infração e extensão da área não são a mesma coisa. A área desmatada mede a extensão do dano. A gravidade envolve os motivos da conduta, a finalidade da supressão e o efeito concreto sobre o ambiente.

Uma supressão de vegetação para plantio de subsistência e um desmate para expansão comercial podem ter a mesma metragem e receber avaliações de gravidade diferentes. Quando o auto de infração não registra nada sobre antecedentes nem sobre capacidade de pagamento, a multa ambiental fica sem a fundamentação que a lei exige.

O que dá para alegar na defesa contra a multa de desmatamento?

A primeira alegação é a ausência de individualização da sanção. Se o auto de infração aplicou valor fixo por hectare sem examinar antecedentes e condição econômica, faltou o requisito do art. 6º da Lei 9.605/98. A consequência normalmente não é a anulação do auto, e sim a redução da multa de desmatamento ao patamar compatível com os critérios legais.

A segunda alegação é a falta de motivação. O art. 50, inciso II, da Lei 9.784/99 obriga a administração federal a motivar os atos que imponham sanções, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. Multa calculada por tabela, sem uma linha sobre o autuado, não cumpre esse dever.

A terceira alegação trata da condição econômica comprovada. Declaração de aptidão ao Pronaf, cadastro de agricultor familiar, declaração de imposto de renda e o enquadramento da propriedade em módulos fiscais servem como prova documental. Sem esses documentos juntados na defesa, o argumento sobre capacidade de pagamento fica apenas no discurso.

A quarta alegação é a não reincidência. O art. 11 do Decreto 6.514/2008 manda considerar os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação de interesse ambiental. Primeira autuação na vida do produtor rural e histórico de infrações repetidas não podem gerar o mesmo valor de multa ambiental.

A quinta alegação diz respeito à destinação da área. Quando a supressão de vegetação ocorreu em área usada para subsistência da família, o dado entra na avaliação dos motivos e das consequências da infração, conforme o inciso I do art. 6º da Lei 9.605/98. Foi o que aconteceu no julgado comentado.

Nenhuma dessas alegações depende de perícia cara. Elas dependem da leitura técnica do auto de infração e de documentos que o próprio produtor rural já guarda em casa. Um resultado parecido aparece no informe sobre multa ambiental sem individualização reduzida pelo tribunal.

O que você deve fazer se recebeu multa de desmatamento calculada por hectare?

Comece pelo auto de infração, e não pela discussão sobre o valor. O documento precisa mostrar como o órgão ambiental chegou ao número. Se ele traz apenas a área multiplicada por um valor unitário, a falha de individualização já está identificada na primeira leitura.

O prazo é curto. O art. 71, inciso I, do Decreto 6.514/2008 concede vinte dias para apresentar defesa, contados da ciência da autuação. Perder esse prazo não elimina a discussão judicial, mas reduz muito a chance de resolver a multa de desmatamento ainda na esfera administrativa.

Reúna os documentos abaixo antes de procurar orientação jurídica:

  1. Auto de infração completo, com o relatório de fiscalização e a memória de cálculo da multa ambiental.
  2. Comprovação da condição econômica: declaração de imposto de renda, notas de venda da produção e cadastro de agricultor familiar.
  3. Certidão de infrações ambientais anteriores, para demonstrar a não reincidência.
  4. Documentos da área: inscrição no Cadastro Ambiental Rural, matrícula do imóvel e comprovação do uso da terra.
  5. Prova do destino da produção da área autuada, inclusive registro fotográfico e nomes de quem pode testemunhar.

Com esse conjunto em mãos, a defesa deixa de ser uma alegação genérica sobre valor alto e passa a ser uma demonstração documentada de que os critérios legais não foram aplicados. É essa diferença que os tribunais federais avaliam quando reduzem a multa de desmatamento.

A tabela seguinte organiza os cinco pontos que a lei exige na fixação da multa ambiental e o que costuma aparecer no lugar deles nos autos lavrados por área.

Critério O que a lei exige O que costuma faltar no auto
Gravidade do fato (art. 6º, I, da Lei 9.605/98) Motivos da infração e consequências para o meio ambiente Apenas a metragem da área suprimida
Antecedentes (art. 6º, II, da Lei 9.605/98) Histórico do autuado no cumprimento da legislação ambiental Nenhuma menção à não reincidência
Situação econômica (art. 6º, III, da Lei 9.605/98) Capacidade real de pagamento do infrator Valor idêntico para qualquer autuado
Base de cálculo (art. 4º do Decreto 6.514/2008) Unidade de medida como ponto de partida Valor por hectare tratado como resultado final
Motivação (art. 50, II, da Lei 9.784/99) Fatos e fundamentos jurídicos por escrito Fórmula matemática sem justificativa

Lendo a coluna da direita, o quadro fica claro para quem foi autuado: a multa de desmatamento cai quando o autuado demonstra que a coluna do meio não foi cumprida. A redução não é um favor do juiz, é a aplicação do texto legal que o órgão ambiental deixou de observar na lavratura.

Quem recebeu autuação desse tipo pode conhecer o serviço de defesa em processo administrativo de desmatamento e, quando o prazo administrativo já passou, o de ação anulatória de auto de infração de desmatamento, que é o processo na Justiça para derrubar ou reduzir a autuação.

Perguntas frequentes sobre multa de desmatamento por hectare

A multa de desmatamento pode ser calculada só pelo tamanho da área?

Não pode ficar só nisso. O art. 4º do Decreto 6.514/2008 permite que a multa tenha o hectare como base de cálculo, mas o art. 6º da Lei 9.605/98 exige que a autoridade também considere a gravidade do fato, os antecedentes e a situação econômica do infrator. A área é o ponto de partida, não a conta inteira. Quando o auto de infração apresenta apenas a multiplicação da área por um valor unitário, falta a graduação obrigatória e a multa de desmatamento fica exposta à redução judicial.

Ser pequeno produtor rural reduz o valor da multa ambiental?

Reduz quando a condição econômica está comprovada nos autos. O art. 6º, inciso III, da Lei 9.605/98 manda considerar a situação econômica do infrator no caso de multa, e o art. 11 do Decreto 6.514/2008 repete a exigência para o agente autuante. A distinção importante é esta: a condição de pequeno produtor rural não isenta ninguém da infração ambiental, apenas influencia o valor da sanção. Sem declaração de renda, cadastro de agricultor familiar ou documento equivalente juntado à defesa, a alegação de capacidade econômica reduzida não se sustenta.

Qual é o prazo para se defender de uma multa de desmatamento federal?

São vinte dias contados da ciência da autuação, conforme o art. 71, inciso I, do Decreto 6.514/2008. Da decisão que julga o auto de infração, cabe recurso à instância superior no mesmo prazo de vinte dias, segundo o inciso III do mesmo artigo. Muita gente confunde esse prazo com o prazo de pagamento da multa ambiental, que é de cinco dias contados do recebimento da notificação de cobrança. Perder o prazo de defesa não impede a discussão judicial posterior, mas encerra a chance de resolver o caso dentro do próprio órgão ambiental.

A redução da multa ambiental na Justiça apaga a infração?

Não apaga. Quando o tribunal reconhece que faltou individualização, o efeito é a redução do valor da multa de desmatamento, e não o cancelamento do auto de infração. O registro da infração permanece, o que interfere na análise de antecedentes em eventual autuação futura, nos termos do art. 6º, inciso II, da Lei 9.605/98. Existe, porém, um segundo cenário: quando o vício atinge a própria descrição da conduta ou a competência do órgão, a discussão passa a ser de nulidade do auto, com resultado mais amplo do que a simples redução do valor.

Multa ambiental já inscrita em dívida ativa ainda pode ser discutida?

Ainda pode. Ajuizada a execução fiscal, que é o processo em que o órgão cobra a multa ambiental na Justiça, o autuado pode apresentar embargos no prazo de trinta dias contados da intimação da garantia, conforme o art. 16 da Lei 6.830/80. Matérias que dispensam produção de prova podem ser levantadas por simples petição nos próprios autos, sem garantia prévia. Há ainda a prescrição: o art. 1º da Lei 9.873/99 fixa cinco anos para a ação punitiva da administração federal, e o § 1º trata da prescrição intercorrente de três anos quando o processo fica parado aguardando julgamento ou despacho. O informe sobre prescrição intercorrente que torna a multa inexigível detalha essa hipótese.

Vale contratar advogado para discutir só o valor da multa de desmatamento?

Vale, porque a discussão sobre valor é técnica e documental. O trabalho consiste em comparar a memória de cálculo do auto de infração com os critérios do art. 6º da Lei 9.605/98 e demonstrar, com documentos, o que a autoridade deixou de considerar. Um advogado especializado em direito ambiental também avalia se o caso comporta pedido de anulação, e não apenas de redução, o que muda o resultado prático para o produtor rural. Conheça o serviço de redução do valor da multa ambiental.

A primeira coisa a fazer é uma análise técnica do auto de infração e da memória de cálculo. É essa leitura que revela se existe vício de dosimetria capaz de justificar a redução da multa de desmatamento ou a anulação da autuação. Procure um advogado especializado em direito ambiental para essa avaliação.

Sobre o Autor

Cláudio Farenzena

Advogado especialista em Direito Ambiental e do Agronegócio pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), professor do Direito Ambiental e Vice-Presidente do Instituto de Direito Agroambiental (IDAM). Atua desde 2017 em todo o Brasil para defender empresas e produtores rurais em processos administrativos, criminais, ação civil pública e execução fiscal de multa ambiental.

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