Em Mato Grosso, transportar, vender, ter em depósito ou comprar madeira serrada, beneficiada, em tora, lenha ou carvão sem a guia florestal válida emitida no Sisflora é autuado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA-MT) com base no art. 47 do Decreto federal 6.514/2008, com multa ambiental de R$ 300 por metro cúbico, estéreo, quilo, metro de carvão ou unidade. Em Mato Grosso, o controle é feito pelo Sisflora, e não pelo DOF do IBAMA. Na defesa, eu começo por 2 perguntas: a guia florestal estava válida para toda a viagem? E como o volume foi medido?
Os dados públicos da SEMA-MT registram mais de 1.500 autos de infração ambiental por transporte, comércio, depósito e compra de madeira desde 2022, a maioria de madeira serrada, com valor mediano perto de R$ 10 mil. Rondonópolis, Cuiabá, Alto Garças, Colniza, Barra do Garças, Cocalinho, Feliz Natal e Juína estão entre os municípios com mais autuações, com postos de fiscalização nas rodovias BR-163, BR-364 e BR-070.
Como a conta é por unidade, a medição decide o valor, e o § 3º do art. 47 manda autuar a carga inteira quando o transporte diverge do autorizado. Por isso eu confiro a guia, o romaneio, a nota fiscal, o método de medição e a tolerância de volume antes de qualquer outra coisa.
O processo na SEMA-MT segue o Decreto estadual 1.436/2022. Depois da ciência do auto de infração ambiental, o autuado tem 20 dias para manifestar interesse em conciliar (art. 29) e 20 dias para a defesa (art. 37). Na conciliação, a conversão da multa ambiental em serviços ambientais dá desconto de 60% se pedida na manifestação de interesse, 50% até a decisão de 1ª instância e 40% até a de 2ª; nas infrações que não envolvem exploração florestal, supressão de vegetação nem crime ambiental, o desconto é de 90%, 80% e 70% (art. 68). O recurso vai ao CONSEMA em 20 dias (art. 58).
Caminhão e carga apreendidos costumam ser o maior prejuízo. O pedido de devolução do veículo, com prova da boa-fé e do uso lícito, e a contestação do valor escrito no termo de apreensão precisam ser feitos logo.
No mérito, as teses mais fortes são a guia florestal válida, a tolerância de volume e o erro material, a identificação da espécie, a responsabilidade do transportador e do motorista, a devolução do caminhão e o valor.





