1. Não há laudo que prove a degradação
Infração de resultado se prova com perícia. O TJMS anulou auto de infração ambiental por lançamento de esgoto baseado só no que o fiscal viu e cheirou, sem coleta de amostra, análise de laboratório ou laudo (AC 0813541-17.2024.8.12.0002). A presunção de veracidade protege o que o agente constatou, não o dano que ele supôs.
2. Não há prova de que o autuado causou o dano
Estar perto do açude não é causar a degradação. O TRF-3 manteve a anulação da multa ambiental de produtor acusado de assorear um córrego porque não havia prova de que a degradação veio da falta de cuidado dele (ApCiv 0000468-25.2016.4.03.6000). O STJ exige dolo ou culpa e nexo causal para punir (EREsp 1.318.051/RJ e REsp 1.708.260/SP).
3. A mortandade teve outra causa
Peixe morre por calor, falta de oxigênio, doença ou despejo de terceiro. Qualquer dessas causas rompe a ligação com o autuado. Por analogia, o TJMG afastou a responsabilidade de quem lançava efluente com outorga porque não se provou que foi esse lançamento que matou os peixes (AC 5000196-91.2018.8.13.0105). Eu peço ao órgão a análise da água e a necropsia dos peixes, e apresento os registros de clima e de outras fontes na região.
4. O açude não é de domínio público
O art. 34 só alcança bem público. Se o açude, o tanque ou o viveiro é particular, o fato pode ter outro enquadramento, mas não este. O auto de infração ambiental precisa indicar a quem pertence o bem, e a falta dessa informação é vício de descrição.
5. Quem responde é quem causou
O dono do imóvel vizinho ou o titular da licença não respondem pelo que outra pessoa fez. O STJ afirmou que a multa ambiental não passa para quem não cometeu a infração (REsp 1.251.697/PR). O auto de infração ambiental precisa dizer como a degradação teria sido causada e por quem, e a descrição genérica é vício que não se corrige depois (TRF-4, AC 5002749-29.2015.4.04.7113).
6. Valor sem motivação e dupla punição
O valor precisa seguir a extensão do dano comprovado. O STJ anulou a dosimetria sem motivação (REsp 1.787.922/ES). Se o órgão estadual que licencia a atividade já autuou o mesmo fato, a segunda autuação cai: o TRF-3 anulou auto de infração ambiental do IBAMA nessa situação (ApCiv 0000338-35.2016.4.03.6000).
A responsabilidade civil pela reparação do dano segue outra regra e pode continuar mesmo com a multa ambiental anulada. Tempestade e queda de energia também já foram tratadas como fatos previsíveis, e por isso a tese de causa natural depende de prova técnica forte. Não há promessa de resultado: o caminho aparece na leitura do auto de infração ambiental, do laudo e dos dados da água.