Defesa contra Auto de Infração Ambiental por destruir Mata Atlântica

Escrito por
Farenzena Tonon Advogados

Defesa de auto de infração na Mata Atlântica é a impugnação administrativa apresentada em 20 dias contra a autuação por destruir ou danificar vegetação do bioma. O valor cobrado por hectare depende do enquadramento no art. 49 ou no art. 50 do Decreto 6.514/2008, e esse enquadramento depende do estágio de regeneração que o laudo atribuiu à área.

O prazo está no art. 113 do Decreto 6.514/2008 e corre da ciência da autuação. O agendamento de audiência de conciliação ambiental sobresta essa contagem, na regra do art. 97-A.

Duas defesas distintas cabem no mesmo auto: a que ataca a materialidade, quando o estágio da vegetação não foi classificado, e a que ataca a dosimetria, quando o cálculo por hectare não se sustenta.

Quem procura este serviço costuma ter recebido a notificação depois de uma fiscalização por imagem de satélite, sem que nenhum agente tenha ido à área medir o que foi suprimido.

O Farenzena Tonon Advogados conduz a defesa perante o IBAMA e os órgãos ambientais dos estados do bioma, na via administrativa e, esgotada ela, na judicial.

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O estágio de regeneração é o fato que decide a sua multa

O auto de infração no bioma não se discute pelo valor, discute-se pelo fato que o laudo atribuiu à área. O estágio da vegetação escolhe o artigo, e o artigo fixa o valor por hectare.

A defesa de auto de infração na Mata Atlântica trata esse ponto como questão de prova, não como questão de opinião técnica do agente.

O fundamento está no art. 8º da Lei 11.428/2006: o corte e a supressão são tratados de forma diferenciada conforme a vegetação seja primária ou secundária e, nesta, conforme o estágio de regeneração.

Daí decorre a arquitetura das autorizações. Vegetação primária e secundária em estágio avançado só podem ser suprimidas por utilidade pública, pelo art. 14. Estágio médio admite também interesse social.

Já o estágio inicial de regeneração é autorizado pelo órgão estadual, na regra simples do art. 25, sem a excepcionalidade exigida para os demais.

Nos estados em que o remanescente do bioma ficou abaixo de 5% da área original, o parágrafo único desse mesmo art. 25 submete o estágio inicial ao regime do estágio médio, o que endurece o tratamento.

Quem define os parâmetros do enquadramento não é o agente de campo. O art. 4º da Lei 11.428/2006 atribui essa definição ao Conselho Nacional do Meio Ambiente, com parâmetros expressos no § 2º.

Fisionomia, estratos predominantes, distribuição diamétrica e altura, epífitas, trepadeiras e características da serapilheira estão entre esses parâmetros. Nenhum deles se apura por fotografia aérea.

A consequência para o seu caso é direta: o auto que afirma o estágio sem laudo que o classifique por esses parâmetros descreve um fato que não provou, e o fato descrito delimita toda a autuação.

Art. 49 ou art. 50: o enquadramento muda o valor por hectare

O que separa os dois artigos é se a supressão era passível de autorização. O art. 49 alcança o que não podia ser autorizado; o art. 50, o que podia e não foi.

O que o auto afirma Artigo aplicável Valor por hectare Acréscimo do bioma Mata Atlântica
Vegetação de especial preservação, não passível de autorização para exploração ou supressão art. 49 R$ 6.000,00 por hectare ou fração + R$ 1.000,00 por hectare em vegetação primária ou secundária em estágio avançado ou médio do bioma (parágrafo único)
Vegetação de especial preservação suprimida sem autorização ou licença da autoridade competente art. 50 R$ 5.000,00 por hectare ou fração + R$ 500,00 por hectare em vegetação secundária em estágio inicial do bioma (§ 1º)
Vegetação em área de reserva legal ou servidão florestal, sem autorização prévia art. 51 R$ 5.000,00 por hectare ou fração sem acréscimo específico do bioma

No seu auto, é o artigo indicado que decide o valor, e os acréscimos estão no Decreto 6.514/2008. O § 2º do art. 50 define vegetação de especial preservação como a que tem regime jurídico próprio de conservação.

Observe o que a tabela revela sobre a sua autuação. O acréscimo do bioma só incide quando o estágio está identificado, e cada faixa corresponde a um estágio diferente.

Em uma área de 12 hectares, a escolha entre o art. 49 com acréscimo e o art. 50 com acréscimo separa R$ 84.000,00 de R$ 66.000,00, pela simples aritmética dos valores por hectare.

Nenhum desses números é negociado na sua defesa. Todos decorrem do artigo em que o auto foi enquadrado, e por isso o escritório coloca o enquadramento no centro do trabalho técnico.

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As 4 frentes da defesa contra o auto de infração no bioma

A defesa se organiza em 4 frentes, e elas não concorrem entre si. Podem ser cumuladas na mesma peça, desde que cada uma tenha prova própria.

Frente 1: o estágio de regeneração não foi classificado

Esta frente ataca a materialidade do que o seu auto descreveu. Sem classificação técnica pelos parâmetros do art. 4º, § 2º, da Lei 11.428/2006, o acréscimo do bioma perde o suporte de fato.

O escritório requer a produção de prova técnica e, na falta dela, o afastamento do acréscimo, com a especificação justificada que o art. 115 do Decreto 6.514/2008 exige de cada prova.

Frente 2: o enquadramento legal está errado

Aqui a discussão é se a supressão da sua área era ou não passível de autorização, o que separa o art. 49 do art. 50. Vegetação em estágio inicial, autorizável pelo art. 25, não cabe no art. 49.

Vale conhecer o alcance real desta frente antes de apostar nela, e o bloco seguinte sobre retificação trata exatamente disso.

Frente 3: a dosimetria não justifica o valor acima do mínimo

O art. 98, parágrafo único, III, do Decreto 6.514/2008 obriga o relatório de fiscalização a registrar os critérios usados para fixar a multa acima do limite mínimo.

Multa majorada sem esse registro, ou com agravante afirmada sem indicação justificada, abre a você pedido de redução ao patamar que a fundamentação sustenta.

Frente 4: a prescrição da apuração

São dois prazos distintos no art. 21. O caput fixa 5 anos da prática do ato, ou do dia em que cessou a infração permanente, e o § 2º alcança o processo paralisado por mais de 3 anos.

O escritório pede a certidão de movimentação dos autos, porque o § 2º exige que a paralisação tenha ocorrido com o processo pendente de julgamento ou despacho.

Do auto de infração à decisão de segunda instância, etapa por etapa

Saber onde o seu processo está define o que ainda pode ser feito, e o rito federal tem prazos fixados em norma. A sequência abaixo segue o Decreto 6.514/2008.

  1. Ciência da autuação. A data em que você tomou ciência é o marco de todo o prazo. O art. 96, § 1º, admite a intimação pessoal, por representante legal, por carta com aviso de recebimento ou por edital, este só em lugar incerto, não sabido ou quando o autuado não é localizado.
  2. Notificação para a audiência de conciliação ambiental. Pelo art. 97-A, § 1º, o agendamento sobresta a fluência do prazo de defesa, que passa a correr da data de realização da audiência.
  3. Defesa em 20 dias. O art. 113 conta o seu prazo da ciência da autuação, e o art. 114 permite que a peça do escritório seja protocolada em qualquer unidade administrativa do órgão que autuou.
  4. Instrução. O setor responsável analisa a sua defesa e as provas que o escritório requereu, nos termos do art. 115, que exige a especificação justificada de cada uma delas.
  5. Alegações finais em 10 dias. O art. 122 abre esse prazo depois de encerrada a instrução, com notificação a você e publicação da pauta de julgamento.
  6. Julgamento em 30 dias. O art. 124 fixa esse prazo, oferecida ou não a sua defesa. O § 1º manda apreciar na decisão o embargo e as demais medidas aplicadas na autuação, sob pena de ineficácia delas.
  7. Recurso em 20 dias. O art. 126 abre 5 dias para você pagar com desconto de 30% ou para recorrer. O art. 127 fixa o recurso em 20 dias, e o art. 128, § 2º, garante a você efeito suspensivo quanto à multa.

Decidido o seu recurso, a autoridade superior pode confirmar, modificar, anular ou revogar a decisão, total ou parcialmente, pelo art. 129. Encerra-se aí a via administrativa.

Ganhar no enquadramento não anula o auto

Demonstrar que o artigo do seu auto está errado não produz a nulidade dele. O art. 100, § 3º, do Decreto 6.514/2008 diz que o erro no enquadramento legal não implica vício insanável.

A autoridade julgadora pode alterá-lo por decisão fundamentada que retifique o auto de infração, e o processo segue com o novo artigo, sem reinício.

Textos que listam “erro de enquadramento” entre os fundamentos de anulação omitem esse parágrafo, e o autuado que monta a defesa inteira sobre ele costuma receber um auto retificado em vez do arquivamento.

O critério de nulidade é outro, e está no § 1º do mesmo artigo: insanável é o vício cuja correção implica modificação do fato descrito no auto de infração.

Por isso a Frente 1 vale mais do que a Frente 2. Atacar o estágio da vegetação atinge o fato descrito; atacar o número do artigo atinge apenas a sua etiqueta.

O escritório articula as duas em ordem na sua peça. Primeiro a impugnação do fato, que leva à nulidade; depois, em caráter subsidiário, o enquadramento, que leva à redução do valor.

Há ainda o efeito do art. 100, § 2º: anulado o auto e caracterizada a conduta lesiva, novo auto deve ser lavrado, observada a prescrição. A nulidade não encerra sempre a sua discussão.

Quando a retificação vem, o art. 99 permite à autoridade convalidar de ofício o vício sanável por despacho saneador justificado, o que recomenda acompanhar o processo depois da defesa protocolada.

A prescrição de 5 anos não é automática quando o fato também é crime

A alegação de prescrição pelo prazo de 5 anos encontra uma resposta prevista em norma. O art. 21, § 3º, do Decreto 6.514/2008 manda a prescrição reger-se pelo prazo da lei penal quando o fato também constitui crime.

Essa hipótese alcança boa parte das autuações no bioma. O art. 38-A da Lei 9.605/1998 pune com detenção de 1 a 3 anos destruir ou danificar vegetação primária ou secundária em estágio avançado ou médio.

Pena máxima de 3 anos conduz ao art. 109, IV, do Código Penal, que fixa a prescrição em 8 anos para pena superior a 2 e não excedente a 4. O prazo penal, neste recorte, é maior que o administrativo.

Daí a cautela do escritório: invocar os 5 anos do caput sem checar o § 3º entrega ao órgão o argumento de que o prazo é o da lei penal, e a sua tese cai sem exame de mérito.

A prescrição intercorrente do § 2º resiste melhor. O prazo ali não é o da pretensão punitiva, e sim o da inércia da administração: 3 anos de processo paralisado, pendente de julgamento ou despacho.

Outro ponto costuma passar em branco. O § 4º do art. 21 diz que a prescrição da pretensão punitiva não elide a obrigação de reparar o dano ambiental.

Em termos práticos, a prescrição extingue a sua multa e não extingue o passivo. A recuperação da área segue exigível, por instrumento próprio, como o PRAD e o TAC por destruir vegetação no bioma.

O escritório confere ainda o art. 22, que interrompe a prescrição pelo recebimento do auto ou pela cientificação do autuado, por ato inequívoco de apuração e pela decisão condenatória recorrível.

O que o escritório confere no seu auto antes de redigir a defesa

A leitura do auto e dos termos que o acompanham antecede qualquer tese. São 7 conferências, e cada uma pode mudar o pedido da peça.

  • A descrição do fato. O art. 97 exige descrição clara e objetiva da infração e indicação dos dispositivos infringidos. Descrição genérica compromete a defesa e, mais que isso, delimita o que pode ser retificado depois.
  • A existência e a autoria do laudo de vegetação. Importa saber se houve classificação do estágio, por quem e com quais parâmetros, porque o acréscimo do bioma depende disso.
  • O relatório de fiscalização. O art. 98, parágrafo único, lista o que ele deve conter, inclusive o registro por imagens de satélite e os critérios de fixação da multa acima do mínimo.
  • A área considerada. O número de hectares multiplica o valor. Divergência entre o polígono do auto, o CAR e a medição em campo tem efeito aritmético imediato sobre a multa.
  • A forma da intimação. O edital do art. 96, § 1º, IV, só se admite nas hipóteses ali previstas, e a data da ciência é o marco do prazo de 20 dias.
  • As medidas administrativas aplicadas. Embargo e apreensão têm formulário próprio pelo art. 101, § 2º, e o § 4º restringe o embargo aos locais onde a infração efetivamente se caracterizou.
  • A movimentação dos autos. A certidão mostra se houve paralisação superior a 3 anos, o que abre a prescrição intercorrente do art. 21, § 2º.

Dessa conferência sai o desenho da sua peça: o que o escritório impugna como fato, o que pede como prova e o que sustenta em caráter subsidiário.

Situações em que a defesa muda o resultado

Os casos abaixo são hipotéticos e servem para mostrar como a mesma norma produz resultados diferentes conforme a prova disponível.

Imagine uma propriedade no oeste de Santa Catarina autuada em 9 hectares pelo art. 49, com acréscimo por estágio avançado. O auto apoia-se em imagem de satélite, e nenhum laudo classificou a vegetação pelos parâmetros do art. 4º, § 2º.

A defesa ali impugna o fato descrito e requer prova técnica. Reconhecida a falta de classificação, o acréscimo do bioma deixa de incidir, e a discussão migra para a área efetivamente suprimida.

Em outra hipótese, um imóvel no litoral do Paraná recebe autuação pelo art. 49 sobre vegetação que o próprio relatório descreve como capoeira em estágio inicial, autorizável pelo órgão estadual na forma do art. 25.

O pedido principal segue sendo a nulidade pelo fato descrito, com o enquadramento no art. 50 como alternativa subsidiária, justamente porque o art. 100, § 3º, permite a retificação.

Considere, por fim, uma autuação lavrada 4 anos antes, parada há 3 anos e 4 meses sem despacho. A certidão de movimentação instrui a prescrição intercorrente, e o pedido é de arquivamento.

A leitura do laudo que classificou a vegetação, e a peça que o contesta, saem das mãos de Cláudio Farenzena, OAB/SC 49.222 e OAB/MT 35.260/A, especialista em Direito Ambiental e em defesa de autuação no bioma Mata Atlântica.

O escritório não promete resultado em nenhuma das frentes. A análise do auto indica quais delas têm prova disponível, e é essa leitura que define a estratégia da peça.

Quando este não é o caminho

A defesa administrativa resolve a discussão sobre a sua multa, e não alcança tudo o que decorre da mesma fiscalização. Em algumas situações, outro serviço responde melhor ao seu caso.

Encerrada a via administrativa sem êxito, a discussão passa ao Judiciário pelo ajuizamento de ação para anular auto de infração aplicado por desmatar Mata Atlântica.

Quando o problema imediato é a área interditada, e não o valor cobrado, o pedido próprio é o desembargo de área, obra ou atividade no bioma Mata Atlântica, que corre por caminho autônomo.

Motosserra, tratores e veículos retidos na fiscalização têm procedimento próprio, tratado na restituição de bens e máquinas apreendidos em infração no bioma.

Havendo decisão judicial que já suspendeu a atividade, a frente urgente é a revogação de liminar que suspende atividade em área do bioma, porque o prazo recursal corre em paralelo ao administrativo.

Se a sua prioridade é regularizar a área e negociar a reparação, o instrumento adequado é o PRAD ou o TAC, e não a impugnação do auto.

Perguntas frequentes

Qual o prazo para apresentar defesa contra auto de infração ambiental?

O seu prazo é de 20 dias, contados da data em que você tomou ciência da autuação, pelo art. 113 do Decreto 6.514/2008. A defesa pode ser protocolada em qualquer unidade administrativa do órgão que lavrou o auto, na forma do art. 114. Existe uma hipótese que altera a contagem: pelo art. 97-A, § 1º, o agendamento da audiência de conciliação ambiental sobresta a fluência do prazo, que passa a correr da data de realização da audiência. Vale conferir a forma da intimação antes de calcular o prazo, porque a data da ciência é o marco inicial e varia conforme a intimação tenha sido pessoal, por carta com aviso de recebimento ou por edital.

Qual o valor da multa por destruir vegetação da Mata Atlântica?

Depende do artigo em que o seu auto foi enquadrado. O art. 49 do Decreto 6.514/2008 prevê R$ 6.000,00 por hectare ou fração quando a vegetação de especial preservação não era passível de autorização, com acréscimo de R$ 1.000,00 por hectare em vegetação primária ou secundária em estágio avançado ou médio do bioma. O art. 50 prevê R$ 5.000,00 por hectare quando a supressão era autorizável e a autorização não foi obtida, com acréscimo de R$ 500,00 por hectare no estágio inicial. O acréscimo do bioma só incide se o estágio estiver classificado tecnicamente.

Cortei árvores no meu terreno e fui multado. É válido?

A propriedade do imóvel não autoriza, por si, a supressão de vegetação do bioma. A Lei 11.428/2006 trata o corte de forma diferenciada conforme o estágio: primária e secundária em estágio avançado somente por utilidade pública, pelo art. 14; estágio médio por utilidade pública ou interesse social; e estágio inicial mediante autorização do órgão estadual, pelo art. 25. A autuação é válida quando descreve o fato com clareza e indica os dispositivos infringidos. O que o escritório discute na sua defesa é o estágio atribuído à vegetação, a área considerada e o enquadramento escolhido.

O auto de infração pode ser anulado por falta de laudo ou perícia?

Pode, quando a ausência de classificação técnica do estágio de regeneração atinge o fato descrito no auto, porque esse é o critério de nulidade do art. 100, § 1º, do Decreto 6.514/2008: insanável é o vício cuja correção implica modificação do fato descrito. O art. 4º, § 2º, da Lei 11.428/2006 lista os parâmetros que a classificação exige, entre eles fisionomia, estratos predominantes, distribuição diamétrica e altura. Nenhum deles se apura por imagem aérea. O escritório impugna o fato e requer a prova técnica na sua defesa, com a especificação justificada que o art. 115 exige.

Auto de infração ambiental prescreve em quanto tempo?

O art. 21 do Decreto 6.514/2008 fixa 5 anos, contados da prática do ato ou, na infração permanente ou continuada, do dia em que ela cessou. Dois dispositivos alteram esse quadro. O § 3º manda a prescrição reger-se pelo prazo da lei penal quando o fato também constitui crime, hipótese comum no bioma por causa do art. 38-A da Lei 9.605/1998. O § 2º traz a prescrição intercorrente, que incide no processo paralisado por mais de 3 anos pendente de julgamento ou despacho. O § 4º ressalva que a prescrição não elide a obrigação de reparar o dano.

Quem decide a autuação por supressão de vegetação na Mata Atlântica?

A autuação pode ser lavrada pelo IBAMA, pelo órgão ambiental do estado ou pelo município, conforme a competência do caso, e o julgamento cabe à autoridade que o órgão autuante indicar em ato próprio, na forma do art. 124, § 3º, do Decreto 6.514/2008. No regime de autorização da supressão houve mudança recente: o § 1º do art. 14 da Lei 11.428/2006, que atribuía a autorização ao órgão ambiental estadual com anuência prévia quando cabível, foi revogado pela Lei 15.190/2025. O escritório confere a competência indicada no seu próprio auto antes de discuti-la.

Destruir vegetação da Mata Atlântica é crime além de infração administrativa?

Sim, e as duas esferas correm de forma independente. O art. 38-A da Lei 9.605/1998 pune com detenção de 1 a 3 anos, ou multa, ou ambas, destruir ou danificar vegetação primária ou secundária em estágio avançado ou médio do bioma, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção. O parágrafo único reduz a pena à metade na forma culposa. A existência do crime repercute no processo administrativo por um caminho específico: o art. 21, § 3º, do Decreto 6.514/2008 manda aplicar o prazo prescricional da lei penal quando o fato também é crime.

Posso ser autuado por desmatamento que não fiz?

A autoria precisa estar descrita no auto de infração, porque o art. 97 do Decreto 6.514/2008 exige descrição clara e objetiva da infração, e o art. 98, parágrafo único, I, manda o relatório de fiscalização registrar as circunstâncias que levaram à identificação da autoria. A titularidade da área não substitui essa demonstração. A sua defesa sustenta a ilegitimidade impugnando o fato descrito e requerendo a prova da conduta, e o escritório separa desde logo a discussão sobre a multa daquela sobre a reparação do dano.

Primeiro a leitura do laudo, depois a discussão do valor

Quem foi autuado por destruir vegetação da Mata Atlântica tem mais opções do que imagina. O Farenzena Tonon Advogados pode mostrar quais são essas opções no seu caso específico.

Entre em contato e descreva a situação com o máximo de detalhes possível, informando a data da ciência da autuação, o artigo indicado no auto e a área considerada pelo agente.

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